São Paulo – Por causa de um trabalho que realizou presencialmente em Dubai, em 2020, a brasiliense Blaine Deolindo se apaixonou pelo emirado e se mudou de forma definitiva ainda durante a pandemia, ao conseguir uma posição em uma empresa de trading. Especializada em direito internacional há quinze anos, uma vez no país árabe ela também se aprofundou na legislação local e, ainda, no mercado de fintechs.
Em pouco tempo, conseguiu expandir suas áreas de atuação e ganhou reconhecimento pelos seus feitos. Em 2025, recebeu o título de Excellence in FinTech & Digital Assets Law no Global Legal Summit & Awards, além de ter sido homenageada como Inspiring Achiever em outro evento importante em Dubai. Outros prêmios estão chegando em 2026.
Sempre em contato com a comunidade brasileira que mora em Dubai, joga vôlei todas as terças-feiras e quintas-feiras no Jumeirah Beach Residence – “meu ritual sagrado”. Não pensa em voltar ao Brasil. Ao contrário, se vê construindo o futuro nos Emirados. Conheça mais sobre Blaine Deolindo, a advogada brasileira que conquistou Dubai:
Por que você foi viver em Dubai?
Dubai não foi apenas uma oportunidade, foi uma escolha consciente transformadora, uma decisão. Tudo começou em 2020, quando eu era líder do jurídico de um banco de investimentos em expansão no Brasil. Estávamos fechando uma transação financeira que exigia diligências presenciais em Dubai. Passei 20 dias nos Emirados Árabes Unidos, mergulhei no sistema jurídico e financeiro local, conheci pessoas-chave e me encantei completamente. Voltei ao Brasil já decidida: era ali que eu queria estar.
E como você conseguiu dar esse passo?
Comecei a planejar tudo em segredo, pesquisei vistos, requisitos de residência, reconectei contatos até conseguir, à distância, uma posição no jurídico de uma empresa de trading de commodities com operações entre EAU e Brasil. Me deram 30 dias para me apresentar em Dubai. Sem hesitar, aceitei. Só então contei à família que estava me mudando para o Oriente Médio. Cheguei no final da pandemia e, desde o primeiro dia, nunca duvidei: foi a decisão mais acertada da minha vida. Hoje me sinto realizada todos os dias.
Você é especializada em direito internacional. Como aprendeu sobre o direito específico dos Emirados?
Minha base é direito internacional e corporativo. Mas não parei por aí. Para entender de verdade as leis e regulamentos dos Emirados, fui direto à fonte: estudei por conta própria, mergulhei nas normas locais. Com o boom de fintech, blockchain e criptoativos em Dubai, busquei conhecimento especializado em cursos presenciais e online. Fiz formação em finanças islâmicas aqui mesmo em Dubai e, atualmente, curso um MBA em “AI and Law” — inteligência artificial aplicada ao direito. É uma área em explosão, e estar na vanguarda faz toda a diferença.
Você atende quem quer abrir um negócio, ou fazer negócios, com os Emirados?
Atuo nos dois fronts. Sou head do Departamento Jurídico de um grupo fintech sediado em Dubai, lidando com o dia a dia regulatório e estratégico. Ao mesmo tempo, integro o quadro societário de algumas empresas, inclusive o da Desert Business Consulting (DBC), onde oferecemos assessoria completa para empresas que querem se internacionalizar ou expandir operações para os Emirados. Nossa atuação na DBC vai muito além de assessorar quem pretende se posicionar nos Emirados: da obtenção de vistos até a inserção do empresário no ecossistema e networking adequados, damos todo o suporte. A minha atuação pessoal também transcende o ambiente de negócios e chega ao ambiente acadêmico como mentora de estudantes de direito e recém-formados no mundo todo que desejam ingressar no mundo jurídico-corporativo ou no mercado de fintechs.
Quais são as particularidades do país, o que um brasileiro precisa saber antes de fazer negócios com os árabes dos Emirados? É muito diferente do Brasil?
Os Emirados são surpreendentemente acessíveis e abertos ao mercado brasileiro, assim como outros países do GCC (sigla em inglês para Conselho de Cooperação do Golfo). Mas há nuances importantes. Primeiro, é fundamental conhecer as normas locais específicas de cada atividade, para adaptar o modelo de negócio brasileiro à realidade regulatória e cultural do país. Além disso, as negociações seguem códigos de conduta próprios: respeito, paciência, construção de relacionamento pessoal e atenção a detalhes culturais fazem muita diferença. Quem chega preparado e respeitoso costuma colher resultados rápidos e sólidos.
Você também atua em outros países árabes da região?
Sim, minha atuação vai além dos Emirados. Tenho negociações e operações regulares na Arábia Saudita, Bahrein e Catar, além de abertura em países como Egito, Marrocos e até em mercados da Ásia e Europa. É uma rede que cresce naturalmente com o tempo e as conexões.
Você tem sido reconhecida em prêmios locais. Pode contar mais sobre eles e o que isso representou na sua carreira?
Ser uma mulher brasileira reconhecida profissionalmente nos Emirados é motivo de orgulho imenso. Em 2025, recebi o título de Excellence in FinTech & Digital Assets Law no Global Legal Summit & Awards, além de ser homenageada como Inspiring Achiever em outro evento importante em Dubai. Ao longo do ano, vieram outras distinções que valorizam o trabalho de mulheres em posições de liderança. Agora, em fevereiro de 2026, terei a cerimônia de entrega do Excellence Award of In-House Legal Professional of the Year in Banking & Finance Sector, também em Dubai. Esses reconhecimentos não são só troféus: eles mostram que é possível quebrar barreiras, abrir caminhos e inspirar outras mulheres em um mercado global e competitivo.
Me conta um pouco mais da sua história, de onde você é, sua família tem ligação com o direito?
Sou 100% brasiliense! Nasci, cresci e vivi em Brasília até me mudar para Dubai. Venho de uma família de servidores públicos: meu pai e minha mãe são concursados, hoje aposentados. Me formei em Direito no UniCeub, uma das universidades mais tradicionais da capital, e fui a primeira da família a seguir a advocacia. Sempre viajei muito e conheci diversos países, mas a experiência de morar fora só se concretizou em Dubai, o lugar que hoje orgulhosamente chamo de lar.
Como é a sua vida em Dubai? Você convive com muitos brasileiros?
Dubai é fascinante. Das oportunidades de negócios robustos ao estilo de vida de altíssima qualidade, a cidade entrega tudo o que eu sempre sonhei. O dia a dia é intenso, com várias frentes simultâneas, mas essa energia me realiza profundamente. A comunidade brasileira faz toda a diferença: sinto-me em casa nos grupos de vôlei de praia em Jumeirah Beach Residence (JBR), meu ritual sagrado às terças e quintas, nos bate-papos de fim de semana ou nos eventos da comunidade. É ótimo manter as raízes vivas.
Pretende voltar para o Brasil?
Por enquanto, não penso nisso. Dubai é meu lar e o lugar onde vejo meu futuro se construindo.
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*Reportagem de Débora Rubin, em colaboração com a ANBA


