Marina Sarruf
São Paulo – O governo de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, pretende investir US$ 130 bilhões em infra-estrutura nos próximos 15 anos. Até 2010 deverão ser construídos um metrô com cerca de 50 quilômetros de extensão, ligando o emirado de Sharjah à zona franca de Jebel Ali, e um novo aeroporto para atender 70 milhões de passageiros. Essas informações foram apresentadas à missão empresarial brasileira do setor de construção civil que está nos Emirados desde o dia 22 de abril para conhecer as principais obras do país.
A delegação, composta por 18 empresários e chefiada pelo integrante do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Salvador Benevides, visitou as maiores construtoras do país árabe, responsáveis por mega-projetos como bairros, ilhas artificiais, shopping centers e torres. Ontem (25), o grupo se encontrou com executivos da construtora de Dubai, a Emaar Properties, com capital de US$ 45 bilhões. Os empresários visitaram o Dubai Marina, um centro urbano na água, com 3,6 quilômetros de extensão.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que está acompanhando a missão, 50% dos 200 prédios do Dubai Marina já estão construídos. A previsão é de que até 2009 o projeto esteja concluído. "São 30 mil quartos de hotéis prontos e cerca de 70 mil pessoas já habitam o local", disse Alaby. O canal da Marina tem 600 pontos de atracação para barcos. O valor estimado do projeto é de US$ 5 bilhões.
Entre os principais projetos em desenvolvimento em Dubai estão o Jumeirah Beach Residence, complexo de 2,2 milhões de metros quadrados, composto por quatro hotéis, 36 prédios residenciais e dois resorts; o Business Bay, complexo de 11 prédios residenciais e escritórios, um hotel de luxo de sete estrelas, um shopping center para 400 lojas, clínicas médicas e academias e o Burj Dubai, prédio que pretende ser o mais alto do mundo, com 705 metros de altura, e que até o momento tem 41 andares construídos. A empresa responsável por essas obras é a Dubai Properties, que pretende investir cerca de US$ 35,5 bilhões apenas nos dois primeiros projetos.
Ilhas residenciais
Outros mega-projetos são da empresa Nakheel, também de Dubai, responsável pela construção das três ilhas artificiais em forma de palmeira: a Palm Jumeirah, Palm Jebel Ali e a Palm Deirah. Os investimentos da empresa somam US$ 35 bilhões, com um total de 14 projetos em andamento.
"Os três projetos das ilhas já estão totalmente vendidos", disse Alaby. A maioria dos compradores é de países do Golfo Arábico, porém, também há da Índia, Paquistão, Irã e países europeus. Os estudos para a construção do projeto envolveram dois mil consultores das áreas de ecologia, geologia e geofísica. Em volta das ilhas haverá uma barreira de pedras com 150 milhões de metros cúbicos, que permitirá a realização de mergulhos no local.
Turismo
Os investimentos em construções nos Emirados também se devem à expansão do turismo no país. No ano passado, o aeroporto de Dubai recebeu 24 milhões de passageiros e para este ano, a previsão é de 26 milhões. Por isso há um pesado investimento na construção de hotéis. Cerca de 11,6% do Produto Interno Bruto (PIB) de Dubai é investido no turismo e a previsão é que até 2010 será investido 20% do PIB, que foi de US$ 98 bilhões no ano passado.
Outras obras da empresa Nakheel são o Dubai Waterfront, centro urbano com 250 núcleos com residências, hotéis, restaurantes e escritórios; a Chinatown, complexo em formato de dragão, com lojas, apartamentos e escritórios e o shopping temático IBN Batuta, com 350 mil metros quadrados, com oito pavilhões representados pelos países investidores do projeto, como Egito, Tunísia, China, Irã, Marrocos, Arábia Saudita, Índia e Japão. Para esses projetos serão investidos cerca de US$ 4 bilhões.
Leia amanhã matéria sobre o fundo de desenvolvimento industrial recém criado no emirado de Abu Dhabi.

