Alexandre Rocha, enviado especial
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Dubai – O emirado de Dubai quer ser um pólo internacional de comercialização de flores. Para tanto, a Dubai Airports criou o Flower Center, enorme armazém de produtos perecíveis dentro da Dubai Cargo Village, o terminal de cargas do aeroporto local, e está treinando pessoal para sair pelo mundo em busca de negócios no ramo. Hoje a Holanda é o principal centro mundial do comércio de flores.
Isso chamou a atenção dos representantes da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e do Ministério da Agricultura que foram ao emirado para participar da feira Gulfood. Ontem (28) eles tiveram uma reunião com o vice-presidente da unidade de cargas da Dubai Airports, Ali Al Jallaf para saber mais sobre o assunto.
"O comércio de flores ficou mais fácil com a Emirates Airline voando direto para o Brasil. Existe um grande potencial, não só de vendas para Dubai, mas para todo o Oriente Médio, Ásia e Rússia", disse Al Jallaf. "Já recebemos flores da Colômbia e do Equador por meio de leilões em Amsterdã, mas comprar direto é mais fácil e mais barato do que ir à Holanda", acrescentou. Segundo ele, grande parte das flores comercializadas em Dubai vem hoje de países africanos.
O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Porto, e o diretor do Departamento de Promoção comercial da pasta, Eduardo Sampaio Marques, falaram sobre pólos de produção de flores no Brasil, como Holambra, no interior de São Paulo, e outros locais na região Nordeste do país.
Eles sugeriram a Al Jallaf a realização de uma missão de empresários locais ao país durante a Explofora, feira do setor que ocorre em setembro na cidade paulista. "Será um grande prazer ir e posso levar comigo o maior comprador de Dubai", afirmou o vice-presidente da Dubai Airports. O secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, o diretor da entidade, Bechara Ibrahim, e os representantes do ministério se comprometeram a viabilizar a viagem.
Al Jallaf ressaltou que o Flower Center de Dubai está entre as melhores instalações do gênero no mundo, totalmente climatizado para receber flores e outros produtos perecíveis. À ANBA ele disse que o centro recebe hoje cerca de 80 toneladas de flores por ano, mas tem capacidade para até 150 toneladas.
O projeto do centro, segundo ele, foi idealizado há cinco anos, mas efetivamente entrou em operação há três. "Os aviões iam para a África carregados e voltavam vazios, então começamos a pesquisar o que poderíamos trazer de lá, e eram as flores", disse.
Shopping center
No total, a Dubai Cargo Village movimenta 1,7 milhão de toneladas de carga por ano e o fluxo, segundo Al Jallaf, cresce em média entre 10% e 12% ao ano. Tempos atrás, de acordo com ele, o terminal era o 18° mais movimentado do mundo, hoje é 11º e este ano espera chegar à quinta posição.
Lá são manuseadas e armazenadas cargas de diversos tipos que vêm principalmente da Europa e Ásia e se destinam especialmente ao Oriente Médio, África e Índia. "Dubai tem uma estratégia de céu aberto, com mais de 110 empresas aéreas internacionais operando aqui para mais de 100 destinos", afirmou o executivo.
Segundo ele, não é difícil fazer serviços de logística no emirado, pois ele se encontra no meio do caminho entre o Oriente e o Ocidente. "Dubai é como um shopping center, é possível achar produtos do mundo inteiro", declarou. As chamadas reexportações respondem pela maior parte do comércio exterior local.
A Dubai Cargo Village foi criada em 1991 e em seu primeiro ano de operação movimentou cerca de 100 mil toneladas de carga. Sua capacidade total é de 2 milhões de toneladas. Um novo terminal de cargas está sendo construído em Jebel Ali, onde fica a zona franca portuária.

