Alexandre Rocha
São Paulo – A Dubai Properties, empresa de desenvolvimento imobiliário que pertence ao governo de Dubai e está no epicentro do boom do setor que ocorre no emirado, quer atrair investidores brasileiros para seus projetos. Representantes da companhia estão em São Paulo para divulgar diversos empreendimentos para investidores individuais, empresas e fundos. "Estamos aqui para conhecer o mercado, para conhecer pessoas que possam vir a trabalhar conosco", disse à ANBA o diretor de desenvolvimento de negócios internacionais da companhia, Fahad Al Gergawi.
O que Al Gergawi oferece aos brasileiros são cotas de participação em alguns dos principais projetos que estão em andamento em Dubai que, segundo ele, oferecem taxas de retorno que variam entre 15% a 20% do valor investido. "É um mercado que está crescendo e vai demorar de quatro a cinco anos para chegar ao seu ápice", declarou, acrescentando que o valor estimado dos empreendimentos em execução em Dubai e dos que devem ser construídos nos próximos 10 anos chega a US$ 110 bilhões.
"Dubai é segunda cidade do mundo em desenvolvimento imobiliário, atrás apenas de Xangai (China) e lá eles têm 17 milhões de habitantes, nós temos apenas 1,5 milhão", declarou o executivo. "Mas há uma previsão de que a população da cidade deverá dobrar em quatro anos", acrescentou.
Os governantes de Dubai querem transformar a cidade no grande centro de negócios da região, atraindo as grandes empresas internacionais e seus funcionários. Ao adquirir um imóvel lá, de acordo com Al Gergawi, o proprietário passa automaticamente a ter direito a um visto de residência válido por três anos renovável pelo mesmo período.
Megaprojetos
Entre os projetos para os quais a empresa quer atrair investidores brasileiros está a Business Bay, espécie de bairro planejado que vai reunir prédios de escritórios, residências e centros comerciais. "Será um lugar como Manhattan, para as pessoas viverem e trabalharem", disse o executivo.
O empreendimento será construído em uma área de aproximadamente seis quilômetros quadrados junto a um braço de mar criado artificialmente a partir do Dubai Creek, um outro braço de mar, só que natural. Serão investidos 75 bilhões de dirhans no projeto, ou US$ 20,4 bilhões pelo câmbio atual.
De acordo com Al Gergawi, a infra-estrutura básica do local, como o arruamento, deverá estar pronta em 2008. Foi iniciada a comercialização de 11 prédios que já estão 60% vendidos. Entre eles há um hotel cujas unidades também estão sendo comercializadas. Para este investimento, o executivo prevê uma taxa de retorno entre 8% e 10%, já descontada a taxa de serviço da operadora. "E será a mesma operadora do Burj Al Arab", garantiu, referindo-se ao hotel de Dubai que é considerado um dos melhores do mundo.
Outro projeto é o Jumeirah Beach Residence, conjunto de 36 prédios residenciais e quatro hotéis construídos à beira-mar em uma área de mais de dois quilômetros quadrados. Segundo Al Gergawi, o empreendimento será entregue em agosto deste ano e 93% das unidades já foram vendidas para compradores de 58 nacionalidades diferentes.
Existem oportunidades também para construtoras brasileiras. Al Gergawi diz que o mercado está aberto para estas companhias. De acordo com ele, já atuam por lá empresas da Coréia do Sul, China, Turquia, Estados Unidos, entre outros países. "Elas podem ir a Dubai em busca de contratos de construção, ou podem comprar terrenos para construir e depois nós comercializamos", afirmou.
Holding
A Dubai Properties é parte de um grupo maior, a Dubai Holding, que reúne 23 companhias que atualmente desenvolvem 44 projetos diferentes em diversos setores. Pertencem à holding as diversas zonas desenvolvidas em Dubai para abrigar setores específicos, como os de informática, mídia, cinema, educação, biotecnologia e indústria, além da Dubailand, megaempreendimento voltado ao setor de entretenimento.
Entre as empresas da Holding está a Dubai International Capital (DIC), criada para realizar investimentos no exterior. No ano passado, por exemplo, a companhia investiu US$ 1 bilhão na DaimlerChrysler, tornando-se a terceira maior acionista do grupo. Conforme a ANBA noticiou ontem (31), a DIC agora pretende criar um fundo de US$ 15 bilhões para investir no mercado internacional.
De acordo com Al Gergawi, só na região a empresa tem US$ 250 milhões aplicados em projetos no Catar, US$ 350 milhões em Omã, US$ 600 milhões no Bahrein, US$ 2 bilhões no Marrocos e US$ 5 bilhões na Turquia. "E no ano passado ela adquiriu 14 mil imóveis nos Estados Unidos em apenas uma compra", garantiu.
Em São Paulo
A Dubai Properties está com um estande na feira de negócios que ocorre paralelamente ao 24° Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, no parque de exposições do Anhembi. Ela divide o espaço com os organizadores da AEEDC, feira e conferência internacional de odontologia que vai ocorrer em Dubai no final de fevereiro.
"É a primeira vez que participamos oficialmente de um evento em toda a América Latina", disse Al Gergawi. "Escolhemos o Brasil por ser a maior economia da região e São Paulo por ser o principal centro de negócios", acrescentou. Durante o evento, ele fez contatos não só com brasileiros, mas também com estrangeiros, especialmente alemães.
Ontem o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, se encontrou com Al Gergawi e seus colegas na feira. O executivo viaja de volta para Dubai hoje (01), quando também termina o evento no Anhembi. Mas ele e o gerente de operações internacionais da Dubai Properties, Khalid Al Boom, podem ser encontrados por meio dos contatos abaixo.
Contatos
Fahad Al Gergawi
Diretor do departamento de desenvolvimento de negócios internacionais
E-mail: Fahad.algergawi@dubai-properties.ae
Khalid Al Boom
Gerente de operações internacionais
E-mail: khalid.alboom@dubai-properties.ae
Site: www.dubai-properties.ae

