São Paulo – A Dubai World, holding que controla grandes empresas do governo do emirado, pode ter de vender parte de seus ativos internacionais no processo de reestruturação, segundo informou o diretor geral do Departamento de Finanças de Dubai, Abdulrahman Al-Saleh, à rede de TV Al Jazeera, do Catar.
Entre os ativos que podem ser vendidos pela Dubai World, de acordo com jornal britânico Financial Times, estão o transatlântico Queen Elizabeth 2 e sua participação acionária no canadense Cirque Du Soleil. A holding tem dívidas de US$ 26 bilhões.
Segundo Saleh, o governo do emirado em si não venderá ativos para financiar a empresa. O Departamento de Finanças, que administra importantes companhias estatais – como a Dubai Water and Electicity Authority, do setor de água e geração de energia, e a Roads and Transport Authority, departamento de transporte e rodovias -, havia decretado que daria apoio a todas as empresas com garantias governamentais.
Mesmo assim, o governo de Dubai não deixou claro se garantirá as empresas da Dubai World, presidida por Sultan bin Suleyman, ou do Investment Corporation of Dubai, que incluem a empresa aérea Emirates, a Dubai Duty Free e participação na Emaar Properties. O governo de Dubai também não deixou claro se garantirá as empresas da Dubai Holding, grupo controlador dos negócios de Mohammed bin Rashid al Maktoum, emir de Dubai, segundo o Financial Times.
Alguns credores, de acordo com o jornal, acreditam que os problemas de dívida da Dubai World são tão severos que o governo do emirado pode precisar vender outros ativos, além daqueles pertencentes à Dubai World ou seus dois braços imobiliários, a Nakheel e a Limitless, para que a empresa volte a condições financeiras estáveis.
Na semana passada, o Financial Times noticiou que a Dubai World deve a bancos do Reino Unido um total de US$ 5 bilhões. O Royal Bank of Scotland é o que está mais exposto, tendo emprestado entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões. A lista inclui também HSBC, Standard Chartered e Lloyds Banking Group. Entretanto, acredita-se que o grosso dos empréstimos dos bancos britânicos tenha sido para as empresas do grupo que têm melhor saúde financeira.
Já nos Emirados, o principal credor é o Emirates National Bank, de Dubai, que tem US$ 3 bilhões em empréstimos a receber.
A Dubai World negocia suas dívidas com bancos desde meados do ano, e alguns dos credores acreditam que as vendas de seus ativos internacionais possam resolver a crise da empresa. A Dubai World afirma que não vai incluir no processo de reestruturação a Istithmar, empresa de investimentos em participações, a DP World, do setor portuário, nem a Zona Franca de Jebel Ali, companhias financeiramente saudáveis.
A Istithmar tem ativos ao redor do mundo, incluindo a loja de departamentos Barney’s New York e o V&A Waterfront, projeto imobiliário e comercial na África do Sul. Apesar de alguns credores estudarem a possibilidade de entrar na justiça para receber US$ 4 bilhões em títulos da Nakheel, com vencimento em 14 de dezembro, exigindo parte da Istithmar como forma de pagamento, a Dubai World, que detém participação acionária na empresa, não acredita que esta seja uma opção viável.
*Tradução de Mark Ament

