São Paulo – A companhia estatal Dubai World está se preparando para vender sua participação no grupo canadense Cirque du Soleil e o transatlântico Queen Elizabeth 2, entre outros ativos. A operação tem como objetivo angariar recursos para pagar parte da dívida de US$ 22 bilhões da companhia. As informações foram divulgadas ontem (07) pelo site do jornal britânico The Times.
Os ativos a serem vendidos são de propriedade da Istithmar, subsidiária de investimentos da Dubai World. Seguindo a orientação de consultores, a companhia vai tentar vender cada ativo individualmente, ao invés de buscar um único comprador para todo o portfólio. A companhia já começou a vender de parte de seus ativos. Na semana passada, a Istithmar levantou cerca de US$ 37 milhões com a venda de sua participação de 13,4% na companhia aérea indiana SpiceJet Ltd.
O Fundo de Apoio Financeiro de Dubai, criado pelo governo do emirado em fevereiro de 2009 para auxiliar estatais endividadas, “já injetou mais de US$ 6,2 bilhões de dólares no grupo Dubai World nos últimos 12 meses”, conforme informou uma porta-voz do governo à agência AFP. Segundo ela, o governo está preparado para alocar ainda mais dinheiro no conglomerado, cuja dívida abalou o mercado mundial no final do ano passado.
Em dezembro, o Fundo pagou US$ 4,1 bilhões para cobrir o vencimento de títulos da Nakheel, companhia imobiliária também pertencente à Dubai World.
O emirado de Dubai resgatou a Nakheel de uma moratória iminente com ajuda do emirado vizinho, Abu Dhabi, cujo auxílio financeiro a Dubai desde o início da crise mundial já chega a US$ 10 bilhões. Em fevereiro de 2009, o banco central dos Emirados Árabes Unidos também injetou US$ 10 bilhões na Dubai World.
Embora a Dubai World seja de propriedade do governo, a porta-voz salientou que os fundos foram emprestados: “O dinheiro foi transferido em caráter de empréstimo ao Fundo de Apoio Financeiro a Dubai, que por sua vez emprestou o capital à companhia”, disse ela, sem revelar a taxa de juros praticada.
“Os fundos serão usados como capital de giro e para pagamento de juros aos credores da companhia”, afirmou a porta-voz, que não quis se identificar. Em dezembro do ano passado, a Dubai World deu início a negociações com seus credores para reestruturar as dívidas de suas subsidiárias. Até o momento, nenhum acordo foi divulgado.
“O Fundo e a Dubai World estão operando segundo princípios aceitos internacionalmente para garantir um processo justo a todos os credores”, disse ela. O Fundo e a Dubai World “estão comprometidos em concluir um processo de reestruturação que seja aceitável para ambos”, concluiu.
No final de novembro do ano passado, Dubai gerou incerteza em mercados financeiros no mundo todo ao anunciar que precisava congelar pagamentos da dívida da Dubai World por pelo menos seis meses para reestruturar a companhia. O anúncio gerou temor de uma moratória do emirado, que tem uma dívida estimada entre US$ 80 bilhões e US$ 100 bilhões, embora algumas fontes acreditem que ela pode chegar a US$ 170 bilhões.
*Tradução de Gabriel Pomerancblum

