Isaura Daniel
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São Paulo – Na Revolta dos Malês, em 1835, na Bahia, os escravos africanos que se levantaram contra o governo brasileiro falavam árabe. Muçulmanos, eles se destacaram entre os demais porque dominavam um idioma escrito. Tanto que livros ou anotações em árabe encontrados em sua posse eram provas para que fossem presos. Essa foi uma das vezes na história em que a língua árabe e a portuguesa se encontraram. Os dois idiomas também conviveram na conquista da Península Ibérica pelos árabes. Esses momentos e outros mais serão tema da palestra que o escritor e professor João Baptista de Medeiros Vargens vai fazer no dia 09 de agosto no Centro Cultural Árabe Sírio, em São Paulo.
João Baptista, que mora no Rio de Janeiro, também fará, na oportunidade, o lançamento, na capital paulista e uma sessão de autógrafos do livro "Português para Falantes de Árabe", primeira publicação da sua editora, a Almádena, especializada em temas da cultura árabe-brasileira. O livro, que ensina a língua portuguesa aos falantes de árabe enquanto dá lições sobre cultura brasileira, já foi lançado no mês de abril no Rio. Além de Vargens, são autores do livro as professoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Geni Harb, Suely Ferreira Lima, Bianca Graziela da Silva e Heloisa Ellery. Vargens é aposentado pela UFRJ.
A palestra que Vargens fará, como parte da noite de autógrafos, se chama "O papel da língua na interação cultural entre o Brasil e o mundo árabe". Será, segundo o autor, um resgate histórico das relações entre Brasil e Portugal com a língua árabe. Vargens vai discorrer sobre momentos nos quais os dois países tiveram contato com o idioma. Aí entram desde a conquista da Península Ibérica pelos mouros, a presença de muçulmanos na expedição de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, a Revolta dos Malês, citada acima, e as viagens do imperador brasileiro, Dom Pedro II, no século 19, aos países árabes.
"Dom Pedro II estudou árabe. Ele tinha aulas de árabe na casa em que morava, em Petrópolis, no Rio de Janeiro", diz Vargens. Livros em árabe fazem parte da coleção Teresa Cristina Maria, que foi doada pelo imperador à instituição. As facilidades para a chegada dos primeiros árabes imigrantes ao Brasil, segundo Vargens, foram dadas pelo próprio imperador. A imigração, aliás, é outra grande forma de contato do Brasil com o idioma árabe. "No momento em que as civilizações se encontram são transmitidos não só hábitos e cultura, mas também palavras", diz o professor, lembrando da origem árabe de palavras em português e vice-versa.
A editora Almádena foi criada por Vargens no final do ano passado com a proposta de se especializar na cultura árabe-brasileira. O primeiro livro, "Português para Falantes de Árabe", é fruto da pesquisa e experiência do grupo de autores com o idioma. O próprio Vargens já estudou e deu aulas em países árabes e o método contido no livro é utilizado para o ensino de português na Universidade de Damasco, na Síria. A palestra no Centro Cultural Árabe Sírio é gratuita e aberta ao público, mas é preciso confirmar presença na instituição. Ela começa às 20h30.
Serviço
Lançamento e sessão de autógrafos do livro "Português para Falantes de Árabe" e palestra "O papel da língua na interação cultural entre o Brasil e o Mundo Árabe"
Data: 09 de agosto, quinta-feira, às 20h30
Local: Centro Cultural Árabe-Sírio, na rua Augusta, 1053, São Paulo
Informações e confirmação de presença: (11) 3536-6358

