São Paulo – Caminhão descarregando casca de eucalipto, borra de café, cinzas e esterco de aves, na fábrica da Pluma Visafértil, no município de Mogi Mirim, interior paulista, é uma cena comum. O que em outro local viraria lixo, ali ganha status valioso, de matéria-prima. A empresa não é um dos novos projetos do atual movimento nacional pela busca dos fertilizantes orgânicos e alternativos. Ela nasceu na década de 90 e, assim como outras várias no Brasil, vem fazendo, desde então, seu trabalho de formiga para enriquecer o solo agrícola do país com restos. A Pluma Visafértil fabrica fertilizante a partir de materiais orgânicos.
De acordo com dados da Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos, Organominerais, Biofertilizantes, Adubos Foliares, Substratos e Condicionadores de Solos (Abisolo), o Brasil já produz 4,5 milhões de toneladas de adubos orgânicos e organominerais ao ano. Se forem somados a isso condicionadores de solo e substrato para plantas, que são da mesma família, o volume chega a 5,2 milhões de toneladas.
A matéria-prima mais comum é a casca de árvore, de acordo com a engenheira agrônoma da Abisolo, Suzana Gazire. Mas a lista dos insumos orgânicos usados na indústria brasileira de adubos orgânicos e organomineirais é longa e inclui desde turfas, carvão vegetal, serragem e resíduos da indústria madeireira, até estercos, camas de eqüinos e de aviários, areia, argila expandida, fibra de coco, vinhaça, torta de mamona, resíduos de abatedouros, entre outros.
"Cerca de 65% das empresas atuantes no segmento inauguraram suas atividades a partir de meados da década de 1990”, diz Suzana. Foi o caso da Visafértil. De iniciativa do filósofo com preocupações ambientais Ulisses Girardi, a empresa é uma das que trabalha para que a imagem dos adubos orgânicos não seja arranhada pelo uso inadequado e ambientalmente incorreto dos insumos naturais. “Compramos a matéria-prima dentro de um padrão”, explica a engenheira agrônoma da empresa, Alexandra Luppi Guedes.
Alexandra afirma que cada insumo é fermentado individualmente até atingir seu ponto ideal. Depois os resíduos são fermentados de maneira conjunta, de forma natural. Eles não são misturados a produtos minerais. A matéria-prima é buscada na região, em uma distância máxima de cem quilômetros, para que o custo do transporte seja viável, já que o volume do material é grande, explica a engenheira agrônoma. O produto tem como fim principal hortas, pomares, plantações de milho e pastagens.

