São Paulo – A economia do Catar tem crescido a uma taxa de 6% ao ano nos últimos três anos e a inflação está abaixo de 3%, mas o país pode passar por dificuldades já em 2016. De acordo com a avaliação feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e divulgada nesta quinta-feira (02), parte do crescimento do Catar deve-se ao setor não petrolífero, que avançou a uma taxa “superior a dois dígitos” nos últimos três anos. Ainda assim, a principal fonte de receita do Catar, que é o gás natural liquefeito (GNL), pode se tornar no médio prazo o principal desafio para as contas do país por causa da queda do seu preço, assim como do preço do petróleo.
O FMI observa que o Catar é responsável por um terço do comércio mundial de GNL. No entanto, afirma o Fundo, a queda no preço do petróleo e dos seus derivados, deverá levar a uma deterioração de alguns indicadores econômicos do país no ano que vem. Segundo o documento, 90% da receita orçamentária do Catar está relacionada ao setor de hidrocarbonetos, e "crucialmente", o preço do GNL está ligado ao preço do petróleo. Entre os indicadores que poderão se deteriorar, o Fundo cita o saldo fiscal, o saldo das contas externas e déficit orçamentário.
“Espera-se um crescimento mais lento no médio prazo porque a ampliação do investimento público será menor e o setor privado só deverá compensá-la parcialmente. Os principais riscos nas perspectivas macroeconômicas são a possibilidade de preços de petróleo e gás abaixo do esperado e seus possíveis efeitos colaterais nos investimentos públicos em razão de um superaquecimento (da economia) no curto prazo e excesso de capacidade no médio prazo”, afirma o documento.
O FMI observa também que os preços dos imóveis estão crescendo rapidamente, principalmente no caso dos terrenos, e recomenda a adoção de medidas que contenham a ação de especuladores. Na avaliação dos técnicos do Fundo, o Catar tem se esforçado nos últimos anos para diversificar sua infraestrutura e está se preparando para receber a Copa do Mundo de 2020, ações que contribuem para o crescimento da economia.
A expectativa do Fundo é que o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano cresça 7,1%, impulsionado pelo investimento público e pelo começo das operações de um novo campo de exploração de gás natural. Para 2016, a expectativa é de avanço de 6,4%.
O Fundo reconhece que o sistema bancário é forte, porém faz algumas recomendações. Entre elas, sugere o aperfeiçoamento do currículo escolar, a promoção de um ambiente de negócios mais atrativo, o fortalecimento da execução dos contratos de negócios e a diversificação da sua economia.


