Emirates News Agency*
Abu Dhabi – Quando os Emirados Árabes Unidos foram fundados há 34 anos sua economia era insignificante e os setores não ligados ao petróleo estavam apenas começando a se formar, já que o país era altamente dependente das vendas da commodity. Atualmente, a nação do Golfo é a segunda potência econômica no mundo árabe, atrás apenas da Arábia Saudita.
Quatro anos após a formação da federação, a economia do país estava em 11° lugar na região e, em 1990, pulou para o quinto lugar. Em 2000, os Emirados já ocupavam a terceira posição, atrás da Arábia Saudita e do Egito. A segunda colocação foi alcançada no ano passado.
Neste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Emirados deve aumentar em mais 10% para um nível recorde em termos nominais, o que vai permitir que o país possa manter seu status de segunda economia mais poderosa da região.
Isso é resultado de vários fatores, incluindo o aumento do preço e da produção de petróleo bruto e gás natural; um crescimento sólido nos setores não ligados ao petróleo, principalmente serviços e manufaturas; e a grande diversificação econômica impulsionada pelo governo.
O desenvolvimento econômico dos Emirados obteve reconhecimento de várias instituições internacionais, principalmente do Fundo Monetário Internacional (FMI), que está incentivando os sete emirados a seguir adiante com as reformas para minimizar o impacto do petróleo na economia e aumentar ainda mais a participação do setor não-petrolífero no PIB.
Enquanto o órgão acredita que os Emirados Árabes Unidos tiveram um progresso substancial no seu projeto de diversificação, já que alguns setores não-petrolíferos tornaram-se grandes contribuintes no PIB do país, o FMI ressalta que o petróleo ainda representa a maior parte da renda, e que isso deveria incentivar o país a desenvolver mais outros segmentos exportadores.
Em 2004, o PIB dos Emirados chegou ao nível recorde de 328,7 bilhões de dirhans (US$ 89,5 bilhões, pelo câmbio atual), um aumento nominal de 19,7% sobre o PIB de 2003, que foi de 274,8 bilhões de dirhans (US$ 74,8 bilhões). O aumento real do PIB foi calculado em cerca de 10%.
O aumento da renda do país resultou em um crescimento constante dos investimentos, que chegaram a um valor recorde de 81,2 bilhões de dirhans (US$ 22,1 bilhões) em 2004, contra 73,1 bilhões de dirhans (US$ 19,9 bilhões) em 2003 e 62,4 bilhões de dirhans (US$ 17,0 bilhões) em 2002, de acordo com o Banco Central dos Emirados. As exportações também tiveram um pico de 303 bilhões de dirhans (US$ 82,5 bilhões) no ano passado.
Orçamento
Os maiores ganhos com o petróleo também tiveram um forte impacto no orçamento, que teve um déficit mínimo de 855 milhões de dirhans (US$ 232,8 milhões), um dos níveis mais baixos na história dos Emirados. Em 2002 o déficit foi de 29,3 bilhões de dirhans (US$ 8,97 bilhões) e, em 1999, de 29,5 bilhões de dirhans (US$ 8,03 bilhões). Especialistas acreditam, porém, que tais déficits são apenas nominais, já que são financiados com o retorno dos investimentos que o país tem no exterior.
Esse ano pode ser ainda melhor. De acordo com a Agência de Informações de Energia (EIA, na sigla em inglês), do Departamento de Energia dos Estados Unidos, os Emirados Árabes Unidos deverão ter a sua maior receita com petróleo, de quase US$ 40 bilhões, em comparação com cerca de US$ 30 bilhões em 2004. Em 2006 a receita poderá ser ainda maior, já que os preços do petróleo devem permanecer altos, fazendo com que a projeção da EIA seja de US$ 42,7 bilhões.
Quando a economia dos Emirados Árabes Unidos deu um grande salto e as receita do país bateu recordes em 2004, autoridades e especialistas descreveram o fato apenas como um ano excepcional, causado principalmente pelo aumento no preço do petróleo bruto. Agora se fala em um ano ainda melhor em 2005 e provavelmente em 2006.
Outra instituição,um pouco mais pragmática, mas que continua otimista, é o Economist Intelligence Unit (EIU), unidade de inteligência e da revista inglesa The Economist, que fez uma avaliação para um ano fiscal e econômico recorde para os Emirados em 2005, mas espera uma pequena retração em 2006, mesmo assim com um bom desempenho.
A EIU divulgou suas projeções por volta da metade deste ano e deve publicar novas estimativas no final do ano ou no começo de 2006, já que suas perspectivas para o preço do petróleo ao longo de 2005 estão bem abaixo da média atual, de quase US$ 50,00 o barril.
Outros setores
Mas não foi apenas o petróleo que impulsionou os Emirados Árabes Unidos em uma nova era de crescimento e ressuscitou o período do boom do petróleo de 25 anos atrás. Os setores não-petrolíferos também estão crescendo rápido e atraindo investidores, principalmente o setor imobiliário.
Mas uma vez o FMI reconheceu esse fato. "Uma estratégia de desenvolvimento orientada para fora, um bom histórico em administração macroeconômica e um ambiente propício para negócios resultaram em um crescimento econômico impressionante nos Emirados Árabes Unidos ao longo dos anos. A diversificação econômica avançou rapidamente, apoiada pela crescente participação do setor privado, que fortaleceu a base para um maior progresso social e econômico no período que vem pela frente", diz relatório do Fundo.
O FMI ressaltou que a perspectiva para o médio prazo continua favorável e que o país está em uma boa posição para consolidar os ganhos recentes com os altos preços do petróleo. Mais uma vez, porém, o FMI foi enfático sobre a necessidade das autoridades seguirem adiante com os programas de diversificação da economia, reformas e expansão do setor privado.
"A perspectiva para o médio prazo continua favorável, baseada nas atuais expectativas de que o preço do petróleo continue alto e de que a produção dos Emirados continue aumentando constantemente para mais de três milhões de barris por dia até 2010. O crescimento real do PIB não-petrolífero deve continuar robusto na medida em que a economia ganhe força com a produtividade contínua, com o fortalecimento das reformas estruturais, com a melhora no regime de investimentos e com um ambiente de negócios mais eficiente", diz o fundo.
"A economia dos Emirados deve crescer a uma taxa anual média de cerca de 6,5% em termos reais durante 2005-2006. Além dos preços altos e a grande produção de petróleo, o crescimento industrial será a base da expansão, apoiada por aumentos contínuos, porém modestos, na produção de petróleo, já que os preços altos permitirão que a Opep não imponha cotas mínimas. Quanto às exportações, esperamos que cheguem ao total de US$ 83,4 bilhões neste ano, um recorde pelo terceiro ano consecutivo", diz a Economist Intelligence Unit.
"Acreditamos que as exportações e reexportações de produtos não-petrolíferos irão aumentar, o faturamento com serviços deve ficar mais forte neste ano e no próximo, impulsionado principalmente pelo crescimento do setor de turismo", acrescenta o relatório da EIU.
Em sua avaliação anual sobre os indicadores econômicos e sociais dos Emirados Árabes Unidos, o FMI disse que o crescimento constante do setor petrolífero do país na última década jogou os Emirados no sexto lugar no ranking de exportadores de petróleo bruto, posição que pode ser melhorada quando a produção de petróleo passar de três milhões de barris por dia. Com capacidade de produção em cerca de 2,5 milhões de barris por dia, o país é o nono maior produtor de petróleo bruto do mundo. O Fundo avalia que economia do país deverá ter um crescimento de 7,3% em termos reais este ano.
*Tradução de Silvia Lindsey

