Da redação
São Paulo – A Economia mundial deverá crescer 3% este ano, contra 4% em 2004, que foi a melhor performance desde 2000. No ano passado, até a África, "que por muitos anos ficou excluída dos benefícios da globalização", teve um bom nível de crescimento, de 4,5%, e este ano deverá ter uma performance ainda melhor, de 5%. Estas são algumas conclusões da edição de 2005 do Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento, que foi divulgado hoje (02) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).
De acordo com os estudo, a desaceleração no crescimento na economia mundial, apesar dela continuar em expansão, se deve a um desempenho menor das economias dos países desenvolvidos e também de algumas nações emergentes. No caso dos países em desenvolvimento, é esperado um crescimento entre 5% e 5,5%, ante 6,5% em 2004.
Embora para a Unctad o horizonte ainda seja "rosado", existem algumas "nuvens negras" no caminho do crescimento econômico internacional. Entre elas está o aumento das cotações do petróleo, que vêm batendo recorde atrás de recorde, apesar disso ainda não ter deprimido a economia dos países desenvolvidos, como ocorreu na primeira crise do petróleo, durante os anos 70. Um fato positivo, de acordo com o estudo, é que os aumentos nos preços da commodity não têm sido influenciados por problemas de fornecimento, mas por causa do crescimento da demanda, principalmente em países que têm apresentado forte crescimento econômico. "E estes países têm conseguido financiar o aumento dos custos do petróleo com os maiores ganhos com as exportações", diz o relatório.
Outro risco, de acordo com a Unctad, é a política monetária vigente em vários países em desenvolvimento, especialmente na Ásia, de intervir no câmbio para evitar a valorização excessiva da moeda local e garantir competitividade aos exportadores. Apesar da China ter decidido em julho "ajustar" sua taxa de câmbio, a Unctad continua a pregar a necessidade de "um sistema multilateral de taxas de câmbio que atenda aos interesses de economias pequenas, abertas e subdesenvolvidas".

