São Paulo – A economia brasileira, que já enfrentava situação difícil nos primeiros meses do ano, teve deterioração adicional no terceiro trimestre deste ano, segundo Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O organismo, fundação pública ligada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, ressalta que todos os indicadores da atividade econômica permaneceram em queda no período.
O Ipea ressalta que a crise política aumentou a incerteza dos mercados sobre a capacidade de o governo aprovar as medidas necessárias de política econômica. “Desde que a economia entrou em recessão, no segundo trimestre de 2014, a queda acumulada do PIB já se aproxima de 6,0%, também um recorde dos últimos 20 anos”, afirmou o coordenador da publicação, Fernando Ribeiro, em material divulgado. Mas o instituto registra que a indústria extrativa mineral é uma exceção positiva, influenciada pelo aumento na produção de petróleo e gás e de minério de ferro.
De acordo com o Ipea, o encaminhamento de três ajustes fundamentais para reequilíbrio da economia – setor externo, inflação e contas públicas – apresentaram resultados diferentes no terceiro trimestre. “Os avanços mais importantes vêm se dando nas contas externas, com substancial redução do déficit em transações correntes”, diz o estudo.
Já a inflação se mantém pressionada e há também deterioração das expectativas do mercado para aumento de preços futuro. Os resultados fiscais também ainda não apresentaram melhorias palpáveis, de acordo com o Ipea. “A despeito do rigoroso controle de gastos observado no último ano e da aprovação de várias das propostas de contenção de gastos obrigatórios e aumento das receitas públicas enviadas pelo Executivo ao Congresso Nacional ao longo do ano”, diz o documento.
O Produto Interno Bruto (PIB) teve retração de 1,7% no terceiro trimestre sobre os três meses anteriores, na série dessazonalizada, e de 4,5% sobre o mesmo trimestre de 2014. O consumo das famílias teve a terceira retração seguida na série livre de influências sazonais, com recuo de 1,5% sobre os três meses anteriores e de 4,5% sobre igual período do ano anterior. O Ipea destaca, porém, o crescimento do superávit comercial.


