São Paulo – A transição para a economia verde poderá gerar entre 15 milhões e 60 milhões de novos empregos no mundo nas próximas duas décadas, de acordo com um estudo divulgado nesta quinta-feira (31) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo o relatório, essa transição também tem potencial de tirar "centenas de milhões" de trabalhadores da pobreza. O estudo foi feito pela Iniciativa Empregos Verdes, uma parceria entre a OIT, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Organização Internacional de Empregadores (IOE).
Segundo a OIT, a transição para a energia verde já começou. Cerca de cinco milhões de pessoas trabalham atualmente no setor de energias renováveis, mais que o dobro de pessoas que atuavam nesta área entre 2006 e 2010.
Aproximadamente 1,5 bilhão de trabalhadores, o equivalente a metade da força de trabalho mundial, serão afetados pela transição para a economia verde. Estes trabalhadores estão em oito setores da economia que exercerão um papel central na economia verde, segundo a avaliação da OIT: agricultura, extração florestal, pesca, energia, manufatura intensiva, reciclagem, construção e transporte.
O estudo avalia que os países em desenvolvimento têm uma chance maior de obter os ganhos previstos pela energia verde do que aqueles já desenvolvidos. Isso ocorrerá porque os países emergentes poderão investir na economia verde durante sua fase de crescimento, enquanto os industrializados precisarão substituir sua infraestrutura obsoleta.
No Brasil, por exemplo, aproximadamente três milhões de pessoas já trabalham na economia verde, o equivalente a 7% da força de trabalho formal do país. Nos Estados Unidos outras três milhões de pessoas trabalham em setores relacionados ao meio ambiente. Na Espanha, são aproximadamente 500 mil empregados neste setor.
Em nota divulgada pela OIT, o diretor-geral da instituição, Juan Somavia, afirmou que é "urgentemente" necessário trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável com um conjunto coerente de políticas que tenham o planeta e as pessoas como foco. Ele disse que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada em junho no Rio de Janeiro, também irá tratar da importância do trabalho na economia verde. "A Rio+20 será um momento crucial para fazer do trabalho decente e da inclusão social partes de qualquer estratégia de desenvolvimento futuro", afirmou.
O levantamento indica, contudo, que os empregos na economia verde só serão criados e os trabalhadores só serão inseridos nesta realidade se políticas adequadas forem adotadas por empresas, governos e sociedade. Algumas dessas políticas compreendem implantar processos de produção sustentáveis especialmente em pequenas e médias empresas.
Banco Mundial
Também na quinta-feira (31), o Banco Mundial divulgou um relatório em que afirma que os recursos naturais da América Latina e do Caribe (LAC) podem se esgotar em 15 a 20 anos se os países da região não adotarem políticas que garantam o desenvolvimento sustentável.
Segundo o relatório, que foi apresentado no Woodrow Wilson Center, em Washington, a região pode ser vítima da "bonança" econômica dos últimos anos. O crescimento do Produto Interno Bruto de 4% ao ano em média e as 70 milhões de pessoas que deixaram a pobreza levaram a uma urbanização acelerada, tornaram um futuro verde "mais difícil".
Mesmo assim, diz o estudo, os países têm adotado medidas que "envolvem uma agenda verde". É o caso do aumento da coleta de lixo, da implantação de transporte coletivo de massa, a substituição de fontes de energia e o incentivo a projetos de reflorestamento. Também é uma medida importante neste processo, segundo o Banco Mundial, a recuperação de áreas urbanas degradadas, como ocorre no Rio de Janeiro, em Lima e na Cidade do México.

