Randa Achmawi
Cairo – A 39ª Feira Internacional do Livro do Cairo abre suas portas amanhã (23) e segue até o dia 04 de fevereiro no Parque de Exposições de Nasr City, na capital egípcia. Participam da mostra 667 editoras de 26 países. Neste ano, a Itália é o país convidado de honra da mostra, que há dez anos mantém essa tradição. No ano passado, a Alemanha foi a convidada especial. "Esta escolha adquiriu uma grande importância na medida em que ela não somente confirma as sólidas relações entre o Egito e a Itália, mas também ajuda a promover os esforços dispensados atualmente em escala mundial para concretizar o diálogo de culturas", diz Nasser El Ansari, presidente da Organização Egípcio do Livro.
No programa da feira estão previstas quase 400 atividades, entre elas debates e encontros com escritores. No pavilhão italiano e dentro da iniciativa de aproximação entre representantes das culturas árabe e européia estão previstos encontros entre escritores egípcios e seus homólogos italianos. É o caso, por exemplo, do debate sobre a escrita na língua materna, que reunirá o italiano Ernesto Ferrero e o egípcio Gamal Al Ghitani. Alaa Al Aswani, autor do best-seller Imarat Yacubian (Edifício Yacubian), e o escritor Antonio Tabucchi também estarão com o público no dia 01 de fevereiro. Outro face a face reunirá Cláudio Magris e Gamal Al Ghitani no dia 29 de janeiro.
Além da literatura, o programa voltado para o país convidado também tem como foco outras áreas do saber, como a filosofia, a política, a sociologia e as ciências de comunicação. Várias mesas redondas debaterão questões ligadas à tradução e ao patrimônio literário tanto no Ocidente como no mundo árabe. Estas contarão com a presença de especialistas como o egípcio Sabri Hafez e a professora de Literatura Árabe da Universidade de Palermo, Mônica Ruocco. Os atuais papéis e posições do Orientalismo serão também tema do debate animado pelo escritor e professor de Filosofia Hassan Hanafi, que contará com a participação de Saad El Din Ibrahim, diretor do Centro Ibn Khaldun, e de Michele Capasso, presidente da Fundação Mediterrânea.
Tradução, pilar para o diálogo
Para reforçar o diálogo de culturas é necessário intensificar o processo de traduções de obras de ambos os mundos. "Senão acaba virando monólogo", diz Adélia Rapsoli, diretora do Centro Cultural Italiano no Cairo. Em cooperação com a Organização Egípcia do Livro, o Conselho Supremo da Cultura Egípcia e um grande número de editoras do setor privado, o instituto lançou a tradução de diversas obras de autores italianos em árabe. Livros como Noturno Indiano, de Antonio Tabucchi, foi publicado pela editora do Conselho Supremo da Cultura Egípcia, a obra completa de Ungaretti pela editora Merit. A editora italiana Jouvence, especializada em Literatura Árabe Contemporânea, apresenta a tradução Beit El Yasmin (Casa de Jasmim), de Ibrahim Abdel Meguid, e Fassad El Amakena (Corrupção do Lugar), de Sabri Mussa.
Um novo prêmio, do Instituto Mediterrâneo de Nápoles, dedicado à Literatura, reservou uma atenção especial para as traduções feitas entre as duas línguas: italiana e árabe. Este prêmio, lançado em 1997, que é reservado a obras que se destacam na promoção da paz, cultura, diplomacia, arquitetura e instituições, consagra este ano uma atenção especial à área da tradução.

