São Paulo – Três dias após a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Egito, empresas do Brasil e do país árabe participaram de uma rodada de negócios na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. O evento, ocorrido nesta quinta-feira (05), reuniu 16 companhias egípcias e 33 brasileiras.
Elas negociaram produtos como alimentos, alumínio, fertilizantes, remédios, máquinas agrícolas, higiene pessoal, etanol, cabos e têxteis.
Karim Otabachi, da Wakalex, empresa que importa e exporta alimentos, conta que sua companhia já compra 200 mil toneladas de açúcar e 10 mil toneladas de frango todos os anos do Brasil, e quer aumentar os negócios com o país.
“Trabalhamos com várias empresas aqui no Brasil e estamos procurando abrir novos negócios. É um mercado enorme, que vem crescendo dia a dia, todas as multinacionais estão se mudando para cá, então, é a coisa certa começar a por as mãos no Brasil”. Segundo Otabachi, ele também busca fornecedores de carne bovina e milho.
Para o coordenador de inteligência da Seara, do Grupo Marfrig, Michel Caldeira, a rodada serviu para que ele pudesse conhecer melhor o mercado egípcio. Ele relata ainda que deve fechar negócios com os importadores árabes.
“A expectativa é de venda imediata. Deve acontecer agora, em um volume de 10 a 15 contêineres, pelo menos, no próximo mês, e ir aumentando significativamente nos próximos meses. Acho que dá para incrementar e fazer mil, duas mil toneladas, que é o dobro do que a gente faz”, disse.
Daniel Paiva Faria, analista de Exportação da Eurofarma, conversou com o representante da egípcia EVA Pharma, e acredita que existem boas possibilidades de negócios entre as companhias. “Eles são a quinta empresa no Egito. Em 2016, eles pretendem ser a primeira empresa, isso vai ao encontro do que a Eurofarma busca em seus parceiros. A Eurofarma busca uma parceria de longo prazo.”
As duas companhias são fabricantes de medicamentos, assim, Faria explica que pode haver uma complementação dos portfólios produzidos por ambas. “A linha oncológica foi a que a gente mais se identificou, mas eu deixei toda a nossa lista de produtos com eles. Podemos fazer uma cooperação mútua. Ele vai falar com o pessoal da área de inteligência para avaliar a nossa lista e ver se tem algum produto com potencial para venda no Egito", contou.
Mostafa El Gabaly, diretor-executivo da Abu Zaabal Fertilizer & Chemical Co., veio ao Brasil em busca de contatos com os atuais clientes. Para o executivo, o Brasil, como um grande mercado para a venda de fertilizantes, representa uma grande oportunidade de negócios para sua empresa. “Este ano, vendemos 55 mil toneladas, o que é muito pouco, e esperamos aumentar”, afirmou. Segundo ele, o objetivo é vender 200 mil toneladas.
Além dos brasileiros que querem vender para o Egito, há aqueles que querem comprar os produtos árabes. Girresse Kurdi, proprietário da Mit Importadora e Distribuidora, veio ao evento para encontrar a Abou Youssef, empresa egípcia produtora de fios e algodão cru. “São pessoas interessadas, têm uma experiência muito grande, principalmente com o Brasil, então, vamos ver se sai algum negócio”, disse Kurdi.
Petrobras
O governo egípcio também enviou um representante para convidar a Petrobras a atuar em seu território. Hazem Omar é o CEO da Otco Sugar, mas veio ao país como vice-presidente do Conselho de Negócios para a América Latina no Egito. “Vim aqui para promover investimentos”, destacou.
“Há muito a ser feito entre a EGPC [Egyptian General Petroleum Corporation], que é a autoridade geral para petróleo no Egito, e a Petrobras, em muitas coisas. Sei que eles [Petrobras] importaram petróleo do Egito, mas não diretamente, por meio de traders internacionais, eles podem tê-lo diretamente. Não temos problema quanto a isso, e eu posso facilitar isto para eles”, declarou. De acordo com Omar, o Egito também tem interesse na produção de biocombustível e de gás liquefeito de petróleo.

