São Paulo – A ministra da Cooperação Internacional do Egito, Fayza Abul Naga, disse nesta sexta-feira (02), durante reunião na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, que seu país precisa construir mais 25 silos para armazenagem de grãos com o objetivo de diminuir o desperdício de alimentos.
De acordo com ela, o Egito importa 8,5 milhões de toneladas de trigo por ano, sendo o maior importador mundial do produto. Só que entre 20% e 25% disso se perde no transporte e no armazenamento inadequado. O Brasil também tem esse problema, mas a média de perda de grãos em geral é de cerca de 10%, segundo o diretor comercial da Kepler Weber, fabricante de silos, Wilfried Toth, que participou do encontro.
Para reduzir o desperdício, o governo egípcio promoveu um estudo que indicou a necessidade de construção de 50 silos, 25 dos quais já foram instalados. Cabe ao Ministério da Cooperação Internacional levantar financiamento para os que faltam, já que, segundo a ministra, não há interesse do setor privado de seu país em investir nessa área.
Toth disse que a Kepler Weber procura exportar entre 30% e 35% de sua produção, sendo que 90% do total vai para outros países da América Latina, e os 10% restantes para outras partes do mundo, especialmente nações árabes. A empresa já vendeu equipamentos para os Emirados Árabes Unidos, Síria e para o próprio Egito.
O executivo acrescentou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem linhas de crédito para financiar exportações de empresas brasileiras e que o banco tem assento no conselho de administração da companhia. A ministra pediu mais informações sobre produtos, preços e condições de financiamento.
Toth disse também que a empresa, que tem sede no Rio Grande do Sul, desenvolveu um tipo de silo para pequenos produtores. A agricultura no Egito é majoritariamente desenvolvida em propriedades de pequeno porte. Segundo o diretor, o correto armazenamento permite ao produtor conservar os grãos e vendê-los em épocas de preços mais favoráveis.

