Isaura Daniel, enviada especial
Novo Hamburgo – Empresários egípcios do setor de couro e calçados querem abrir um centro de treinamento com tecnologia brasileira no país árabe. O presidente da divisão de couros da Câmara de Comércio do Cairo, Mohamed Wasfy, visitou ontem o Centro Tecnológico do Calçado do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na cidade gaúcha de Novo Hamburgo, e conversou com o diretor da instituição, Carlos Artur Trein, sobre o assunto.
O egípcio veio ao Brasil para participar da Feira Internacional de Couros, Químicos, Componentes e Acessórios, Equipamentos e Máquinas para Calçados e Curtumes (Fimec), que começou na quarta-feira e segue até o sábado no município. Na mostra, Wasfy está conhecendo as máquinas fabricadas pelos brasileiros com a intenção de importá-las para o centro. Os egípcios também querem contar com profissionais brasileiros para treinar os professores que atuarão no local.
A idéia é que o centro funcione nos moldes do Centro Tecnológico do Calçado. De acordo com Wasfy, o Egito já possui uma instituição similar, mas ela funciona em cooperação com a Alemanha. O Egito quer levar para o país agora o sistema de produção brasileiro. Segundo Wasfy, o governo local está disposto a bancar o projeto. "O governo egípcio tem um programa amplo para modernizar toda a indústria", diz o empresário. O centro, segundo ele, também ajudaria a introduzir as máquinas brasileiras no mercado egípcio.
Parceiros
Para tocar o projeto do centro, porém, o país árabe precisa de parceiros no Brasil. Wasfy ficou de continuar conversando com o Senai e também pediu ajuda para a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal). Ele participa da feira como convidado da entidade. O Senai possui um departamento de cooperação internacional em Brasília, o qual Wasfy deve procurar.
O Centro Tecnológico do Calçado, segundo Artur Trein, já tem programas de cooperação com outros países. Um deles é com uma rede de escolas mexicanas. Periodicamente os mexicanos enviam seus profissionais para receber treinamento em Novo Hamburgo. Trein se mostrou disposto a levar o assunto adiante. "Temos a informação de que a indústria de calçados está crescendo na África", diz.
Wasfy, que também é membro da Câmara da Indústria do Couro, ficou bem impressionado com o número de estudantes que o Senai forma. A instituição, de acordo com Trein, recebe 1,9 milhão de matrículas por ano em todo o Brasil. Isso inclui, porém, todos os tipos de treinamento industrial, não apenas do setor de calçados. O Centro Tecnológico do Calçado forma três mil alunos a cada ano.
O empresário egípcio visitou o Centro Tecnológico do Calçado ao lado de outros importadores que participam da Fimec. O Senai do Calçado, como é chamado informalmente o Centro, dá cursos, principalmente técnicos, para formação de profissionais que trabalharão nas indústrias do setor. Eles aprendem sobre modelagem, controle de qualidade, gestão de empresas de calçados, matérias-primas e administração da produção.
O Centro Tecnológico do Calçado também presta serviços para indústrias. Ele mantém, por exemplo, um núcleo de design, por meio do qual dá assessoria a empresas em desenvolvimento de coleções, e um centro de controle de qualidade, onde é testada a qualidade dos calçados fabricados pelas indústrias.
Ecológico
Também são levados adiante alguns projetos, como o dos calçados ecológicos. Por meio dele, o Senai ensina como fabricar um calçado com materiais que agridam menos o meio ambiente. O processo ecológico leva em conta desde a seleção de matérias-primas, biodegradáveis, até a embalagem, da mesma natureza. O solado, por exemplo, é feito com borracha natural. "O futuro é do calçado ecológico", diz o diretor da Federação Nacional do Couro e do Calçado da Tunísia (FNCC), Salem Fekih, que também visitou o Senai ontem.
Além do Centro Tecnológico do Calçado, os estrangeiros que participam da Fimec também conheceram o Centro Tecnológico do Couro, que fica na cidade de Estância Velha, e tem a mesma proposta que a unidade do calçado, mas é voltado para a produção de couro.

