Marina Sarruf
São Paulo – A delegação de exportadores egípcios de produtos médicos e hospitalares que participou da Hospitalar, feira do setor que terminou sexta-feira (23) em São Paulo, quer um relacionamento de longo prazo com o Brasil. Exemplos disso foram as reservas de estandes para a próxima edição da feira, a assinatura de um acordo de cooperação com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira e a contratação de um profissional brasileiro para facilitar o registro dos produtos árabes no país.
De acordo com o chefe da delegação egípcia, Sherif Ezzat, a participação das empresas na feira foi muito positiva. "Já fizemos uma reserva para a nossa participação na feira do ano que vem. Queremos trabalhar a longo prazo", afirmou. Para ele, o próximo passo que os egípcios têm que dar é registrar seus produtos no Brasil e firmar parcerias com distribuidores. Outro ponto positivo apontado por ele foi que a feira possibilitou contatos com importadores e distribuidores de outros países da América Latina.
Um dos egípcios que fez muitos contatos e acredita que vai fechar parceria com um distribuidor é o gerente de exportação para as Américas da empresa Pharco, fabricante de produtos farmacêuticos e fitoterápicos, Emad Alfonse. "Achei um distribuidor brasileiro muito interessado em nos representar, agora vamos estudar as possibilidades para fechar o contrato", disse.
Segundo Alfonse, a Pharco é a maior companhia de medicamentos do Egito. A empresa trouxe para o Brasil o Mirazid, um novo remédio para o tratamento da esquistossomose, doença causada por um parasita intestinal. "A empresa brasileira que esteve aqui ficou muito interessada nesse medicamento", disse. A principal matéria-prima utilizada na fabricação do medicamento é uma planta do Mar Vermelho, chamada commiphora molmol. A Pharco já exporta para mais de 15 países, entre eles Jordânia, Líbia, Argélia, Arábia Saudita, Kuwait, Cazaquistão e Romênia.
Outro empresário que ficou satisfeito com os resultados da feira foi Ahmed El-Akkad, diretor da empresa Dawi Medical, fabricante de cateteres para uso em cardiologia e urologia. "Os interessados em meus produtos acharam o preço barato, se comparado com o preço europeu. Fiquei surpreso", disse.
Acordo
Para estreitar ainda mais os laços com os egípcios, foi assinado um acordo entre a Câmara Árabe e a União Médica Industrial do Egito. De acordo com o presidente da Câmara, Antonio Sarkis Jr., o objetivo do acordo é cooperar no registro dos produtos egípcios no Brasil. "É uma forma de facilitar a vida do empresário egípcio. Podemos ajudar nas traduções de embalagens e na busca de distribuidores", afirmou.
O acordo foi assinado na presença da presidente da Hospitalar, Valeska Santos, do vice-presidente, Francisco Santos, do secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, do ex-presidente e tesoureiro, Paulo Sérgio Atallah, do cônsul comercial do Egito em São Paulo, Mohamed Bakry, dos empresários egípcios, além do chefe da delegação e presidente da União Médica Industrial do Egito.
"Sinto que há muito trabalho para ser feito para transformar esse acordo numa ação concreta", afirmou Ezzat. Segundo ele, a maioria das empresas egípcias precisa registrar seus produtos no Brasil e nomear um distribuidor. Para isso, a União Médica Industrial do Egito contratou um encarregado para ajudar os empresários com o licenciamento dos produtos.
Essa foi a primeira vez que uma delegação egípcia expôs em uma feira do setor no Brasil. As 16 empresas e entidades participantes mostraram diversos produtos, como descartáveis, medicamentos, equipamentos ortopédicos, para cardiologia, urologia, diagnósticos por imagem, entre outros. Segundo Valeska, o mercado árabe para o Brasil é muito promissor. "É muito importante estabelecer um contato de confiança e existe uma amizade entre o Brasil e os países árabes que facilita nas relações comerciais", disse.

