Randa Achmawi
Cairo – O Egito tem um novo museu para contar a sua história milenar. A cidade egípcia de Al-Arich, que fica na Península do Sinai, abriu as portas, no começo do mês, de um museu que reúne duas mil peças dos períodos faraônico, greco-romanos, copta, bizantino e islâmico. A inauguração oficial vai ocorrer nas próximas semanas. O Museu de Al-Arich levou três anos para ser construído e suas instalações custaram 45 milhões de libras egípcias, equivalentes a US$ 8 milhões. Estátuas, bustos, ícones, moedas, lanternas e manuscritos de todos os períodos da história egípcia estão expostos no local.
Foram empregadas, no museu, técnicas modernas de exposição para ressaltar o valor dos objetos. "Nosso objetivo não é somente efetuar uma simples apresentação das peças. Queremos fazer com que o visitante compreenda a cultura inerente ao nosso patrimônio", diz o diretor geral do Organismo Egípcio de Museus Regionais, Ahmed Charaf. O museu se estende por uma área de 19 mil metros quadrados e tem uma parte externa e outra interna. Ao ar livre, em um jardim desenhado em forma de arco, se encontra também um anfiteatro. Na parte interna do museu há várias salas.
"Este não é um simples museu. A idéia, na verdade, é criar um centro cultural, onde os visitantes possam ter ao mesmo tempo acesso à informação histórica e divertimento. Esta é a razão pela qual o anfiteatro e o jardim ocupam a maioria da superfície do museu", diz Charaf. Ao chegar ao museu o visitante assiste durante 15 minutos uma série de documentários, traduzidos em várias línguas, sobre a história da Península do Sinai. As produções mostram não apenas as peças do museu, mas vestígios arqueológicos famosos do Sinai como das antigas igrejas e monastérios que se encontram ao longo do trajeto feito pela Sagrada Família.
As primeiras salas do museu são consagradas ao período faraônico e a série de objetos expostos começa com a estátua de Horus, falcão considerado o deus dos céus pelos antigos egípcios. "É símbolo da realeza no Antigo Egito e também da vitória", explica Charaf. Na mesma sala também se encontram estátuas de soberanos da era faraônica como Thutmosis III e conquistadores do novo império como Ramsés II e Ramsés III. O período greco-romano também esta presente no museu. Vestígios de cidades romanas e peças de mosaicos se encontram expostos para representar esta época.
Sinai histórico
Do período bíblico, ícones coptas que personificam a Sagrada Família e seu trajeto no Egito, podem ser também admirados. "A costa mediterrânea do Norte do Sinai foi marcada pela passagem da Sagrada Família durante sua fuga para o Egito na época do soberano Herodes", explica o diretor do Museu de Al-Arich, Said Soliman. De acordo com ele, esta rota costeira conheceu ao longo dos anos a existência de uma série de igrejas e monastérios que foram decorados com elementos sobre o evento sagrado.
A arte do período islâmico ocupa duas salas do Museu de Al-Arich. "Na primeira se encontra um série de instrumentos como as Mucharabiehs – persianas decoradas com motivos arabescos – através das quais passam os raios de sol durante o dia, assim como lanternas utilizadas para a iluminação de residências e ruas durante a noite", descreve o diretor. Também estão expostas diferentes armas utilizadas durante este período. Na segunda sala sobre a era islâmica estão objetos usados na vida cotidiana como jóias, frascos de perfume ou recipientes para o Kohl – delineador negro para os olhos, muito comum no mundo árabe.
Nas três salas restantes do museu há elementos relacionados com a história do Egito, principalmente do Sinai. Uma delas é dedicada a objetos de argila e outra à exposição de moedas do período de Alexandre, O Grande, ao reinado de Mohamed Ali Pacha. A terceira é dedicada ao patrimônio da Península do Sinai. "Esta região se destaca pela quantidade de peças em argila que nela foram encontradas ao longo dos séculos por escavações arqueológicas. E sua riqueza se explica pela posição estratégica do Sinai que liga o vale do Nilo aos países vizinhos e reflete ainda suas relações com outras civilizações", explica Soliman. Após a visita é possível, eventualmente, ver espetáculos de dança folclórica no anfiteatro.

