São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai emprestar US$ 4,8 bilhões para o Egito, afirmou na noite de quinta-feira (06), no Cairo, o ministro do Planejamento e Cooperação Internacional do Egito, Amr Darrag. Ele disse à agência de notícias MENA que o empréstimo deverá ser confirmado até o fim deste mês pelo FMI.
Para liberar o empréstimo, o FMI exigiu que o Egito aumente os impostos de seis commodities para que a receita do País cresça US$ 2 bilhões, proposta que será votada pela Shura, a Câmara Alta do Parlamento. Outra condição é que o Egito reduza o déficit orçamentário. Esta exigência deverá ser atendida já no próximo ano fiscal, 2013/2014, que começa em 1º de julho. A meta é que neste período o déficit orçamentário seja de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No ano fiscal de 2012/2013, o déficit chegou a 11,5% do PIB.
A reforma econômica do Egito também prevê a introdução, em agosto, de um “cartão inteligente” por meio do qual os consumidores poderão comprar uma quantidade limitada de combustível subsidiado. Essa medida será adotada para reduzir os gastos do governo com subsídio de combustíveis, o que onera as contas do país. Com a medida, a previsão do governo é economizar US$ 4,28 bilhões no ano fiscal.
As negociações para que o Egito obtenha um empréstimo do FMI começaram no ano passado. Em novembro, um acordo chegou a ser anunciado, mas país voltou atrás porque a população se revoltou com as condições impostas pelo FMI ao governo do presidente Mohamem Morsi. Na ocasião, manifestantes afirmaram que as exigências feitas pelo FMI aumentariam o desemprego.
As negociações foram retomadas e, em abril, foram encerradas sem um acordo. Na ocasião, o FMI afirmou que as autoridades egípcias precisariam manter os déficits fiscal e de pagamentos de forma “socialmente equilibrada”. Em maio novas negociações começaram a ser feitas.
O Egito pretende usar o dinheiro do FMI para ajudar o país a recompor as reservas internacionais e conter a desvalorização da libra egípcia em relação ao dólar. As condições econômicas do país se deterioraram desde que o país passou por manifestações que resultaram na renúncia do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011. No ano passado, Morsi foi eleito em junho e empossado em julho. Alguns países árabes, como Catar e Líbia, já emprestaram recursos para ajudar o Egito a superar as dificuldades financeiras.


