São Paulo – Os acordos assinados durante a Conferência de Desenvolvimento Econômico do Egito somam US$ 60 bilhões, segundo disse o primeiro-ministro do país, Ibrahim Mahlab, ao final do fórum realizado de sexta-feira a domingo (15) no balneário de Sharm El-Sheikh, na costa do Mar Vermelho. As informações são do site do jornal egípcio Al Ahram.
Deste total, foram anunciados US$ 36,2 bilhões em investimentos diversos, US$ 18,6 bilhões em contratos de engenharia e construção e US$ 5,2 bilhões em empréstimos. Os objetivos da conferência eram mostrar o potencial econômico do país, as reformas realizadas pelo governo e atrair o interesse de investidores, após quatro anos de turbulência política, econômica e social desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak.
Logo no início do evento, países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) anunciaram US$ 12,5 bilhões em investimentos e ajuda financeira ao Egito. Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos se comprometeram com repasses de US$ 4 bilhões cada, e Omã, com US$ 500 milhões.
De acordo com o Al Ahram, empresas dos Emirados foram as que mais anunciaram investimentos durante o encontro. O maior acordo individual, porém, foi divulgado pela British Petroleum, e envolve aportes de US$ 12 bilhões em campos de gás no Delta Oriental do Nilo.
Segundo o site, a maioria dos negócios divulgados é nas áreas de desenvolvimento imobiliário e energia, e pouco foi anunciado para a indústria e a agricultura.
O Egito apresentou projetos que pretende desenvolver no intuito de atrair o interesse dos investidores. Um deles prevê a construção de uma nova capital administrativa numa área de 700 quilômetros quadrados localizada a leste do Cairo. O custo estimado é de US$ 45 bilhões.
Outros projetos são o desenvolvimento de um polo industrial e de logística ao longo do Canal de Suez, orçado em US$ 15 bilhões, e a duplicação do próprio canal ao custo de US$ 8,2 bilhões. A passagem marítima que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo é uma das principais fontes de receita do Egito e o país pretende dobrar os ganhos até 2023 com sua duplicação.
Reformas
O governo egípcio detalhou também mudanças na legislação para melhorar o ambiente de negócios. Na véspera do início da conferência, o presidente Abdel-Fattah El-Sisi sancionou uma nova lei de investimentos que promete reduzir de 78 para apenas um o número de órgãos públicos com que o investidor tem que lidar para realizar seu empreendimento, de acordo com o Al Ahram. O governo ressaltou também a redução dos subsídios aos combustíveis e a diminuição do teto da alíquota do imposto de renda para pessoas físicas e jurídicas de 30% para 22,5%.
No fim do evento, Sisi afirmou que o país necessita de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões em investimentos. Mais do que crescer, o Egito precisa de desenvolvimento com inclusão, pois, segundo o Al Ahram, dos quase 90 milhões de habitantes, um quarto vive abaixo da linha de pobreza e outros 20% estão próximos dela.
O presidente foi o principal incentivador da conferência que reuniu cerca de 2 mil delegados de 112 países, incluindo 30 chefes de estado e executivos de multinacionais. O Brasil foi representado pelo subsecretário-geral do Itamaraty responsável por Oriente Médio e África, Paulo Cordeiro. A Câmara de Comércio Árabe Brasileira enviou seu executivo de relações governamentais, Tamer Mansour. Os egípcios pretendem realizar eventos semelhantes todos os anos.


