Marina Sarruf
São Paulo – O Egito vem crescendo como fornecedor de produtos médicos e hospitalares. Há cinco anos as exportações egípcias do setor somavam US$ 3 milhões e atualmente já ultrapassam US$ 60 milhões, segundo informou à ANBA Sherif Ezzat, chefe da delegação de 17 empresários egípcios que estão em São Paulo para participar da Hospitalar, feira do setor que começa hoje (20) e segue até sexta-feira (23). "Queremos entrar no mercado latino-americano pelo Brasil", afirmou Ezzat.
De acordo com ele, a indústria de produtos médicos e hospitalares no Egito vêm crescendo a cada ano. Há cinco anos existiam apenas 12 empresas do setor no país árabe, hoje, elas já somam 150. Um exemplo disso é a Dawi Medical, fabricante de cateteres para uso em cardiologia e urologia, que iniciou suas atividades há dois anos. A empresa, que emprega 35 funcionários, produz 10 mil cateteres por mês e exporta 70% para Europa. "Temos que achar o nicho certo de mercado aqui no Brasil", disse o diretor Ahmed El-Akkad.
Essa é a segunda vez que os empresários egípcios vão participar da Hospitalar. No ano passado, porém, eles não expuseram na feira. "Vimos o potencial do mercado brasileiro no ano passado. Agora a idéia é achar um distribuidor para cada empresa", afirmou Ezzat, que também é presidente da LifeCare Surgical, fabricante de equipamentos cirúrgicos.
Outra empresa que está no estande egípcio, que ocupa 205 metros quadrados no Expo Center Norte, é a Afri Medical, fabricante de curativos, produtos para diálise, anestesia, urologia, entre outros. "Começamos a exportar para o Brasil em outubro do ano passado. Já foram embarcados oito contêineres de produtos para diálise", disse o coordenador de exportação, Ramy Elfar. Segundo ele, o objetivo de participar da feira é achar outros distribuidores para os outros produtos da empresa.
Para Ezzat, as duas maiores dificuldades que os empresários do setor têm no Brasil são arrumar distribuidores e registrar os produtos segundo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "No entanto, o mercado brasileiro tem potencial para os nossos produtos. A competitividade e as dificuldades são menores que no mercado europeu", disse.
As empresas egípcias estão sendo patrocinadas pela Associação dos Exportadores Egípcios (Expolink) e pelo Centro de Modernização Industrial, uma agência de fomento à indústria egípcia financiada pela União Européia, e terá apoio do escritório comercial do Egito em São Paulo e da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Ontem os egípcios estiveram na sede da entidade, onde foram recebidos pelo secretário geral, Michel Alaby, e pelo cônsul comercial do Egito em São Paulo, Mohamed Bakri Agami.
Mais árabes
Durante a feira também haverá rodadas de negócios entre exportadores brasileiros e compradores internacionais, entre eles da Líbia, Síria, Iraque e Egito. O Projeto Comprador, que reúne 20 empresas internacionais, será realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo). Os importadores árabes procuram produtos descartáveis, mobiliário hospitalar até equipamentos para exames.
A Câmara Árabe também vai contar com um estande na feira para auxiliar não só as companhias egípcias, mas também outros empresários árabes que estão na feira.
A feira
A 13ª edição da Hospitalar vai reunir mais de mil empresas expositoras de 32 países. A organização da feira espera receber mais de 70 mil visitantes. Essa é a maior mostra do gênero da América Latina.
Mais informações
Sobre a feira
www.hospitalar.com.br

