São Paulo – O ministro da Indústria e Comércio do Egito, Rachid Mohamed Rachid, passou hoje (05) o dia em Brasília, onde teve reuniões com colegas brasileiros de diferentes pastas. Ele discutiu maneiras de ampliar a cooperação entre os dois países em várias áreas e viabilizar na prática o acordo de livre comércio assinado esta semana entre seu país e o Mercosul.
Rachid deu ênfase à questão da logística, pois a distância é tida como um dos principais entraves ao aumento do comércio bilateral. Não há vôos diretos entre o Brasil e o Egito e os navios que transportam mercadorias de um país ao outro o fazem com escalas.
O ministro egípcio falou sobre o tema em almoço com chanceler Celso Amorim e em reunião com o ministro dos Transportes, Paulo Passos, segundo informações das assessorias de imprensa do Itamaraty e do Ministério dos Transportes.
Rachid, de acordo com nota dos Transportes, propôs que a cooperação entre Brasil e Egito “inclua a exploração dos aspectos logísticos das relações comerciais”, além da formação de um grupo de trabalho de empresários dos dois países com o objetivo de ampliar “o comércio bilateral na área de infraestrutura rodoviária e ferroviária”.
Outro tema que o egípcio tratou com Amorim, e também com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, foi o financiamento dos negócios bilaterais.
Segundo a assessoria do ministério brasileiro, Rachid pediu “maior envolvimento do governo” na exploração das linhas de financiamento entre as duas nações e Jorge destacou o trabalho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como principal financiador de projetos de longo prazo no Brasil.
A Jorge, Rachid também pediu cooperação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), ligado ao MDIC, para transferência de know-how para o órgão semelhante que existe no Egito.
Ainda com Jorge, o ministro egípcio defendeu a realização de missões comerciais e deu ênfase ao agronegócio, tema que ele discutiu também como o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wagner Rossi.
De acordo com a assessoria do Mapa, Rachid e Rossi conversaram sobre a vinda ao Brasil, ainda este ano, de uma missão empresarial egípcia para tratar de negócios no setor. O egípcio, segundo o Mapa, disse que seu país tem interesse em áreas como irrigação, sementes, máquinas agrícolas e etanol.
O Egito quer ampliar também as exportações de fertilizantes ao Brasil. O ministro brasileiro destacou que há necessidade crescente do setor agrícola e que, mesmo com incentivos à produção nacional, o país deverá continuar a ser um grande importador desses insumos nos próximos anos.
O agronegócio responde por boa parte da pauta das exportações brasileiras ao Egito. Segundo o Mapa, os embarques renderam US$ 483,1 milhões no primeiro semestre, sendo que os principais produtos comercializados foram carne bovina e açúcar.
Nesta sexta-feira (06), Rachid estará na capital paulista, onde vai participar de um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

