São Paulo – O Egito quer elevar suas reservas internacionais para US$ 16 bilhões até o final de junho. Segundo a agência Reuters, a informação foi dada pelo ministro do Planejamento e Cooperação Internacional do país, Ashraf Al-Araby, durante uma entrevista à TV Al-Arabiya, em Dubai, nesta terça-feira (02).
A data é quando termina o ano fiscal no país. A previsão original era de que estas reservas somariam US$ 19 bilhões até lá.
De acordo com a Reuters, as reservas egípcias em moeda estrangeira estavam em US$ 13,5 bilhões no final de fevereiro, menos da metade do valor que tinham em 2011, quando estourou o levante popular que colocou fim aos quase 30 anos de governo do ex-presidente Hosni Mubarak.
O país sofre com a desvalorização da libra egípcia e com a perda de reservas. O total atual mal dá para cobrir dois meses de importações, segundo a agência Dow Jones.
É diante deste quadro que os egípcios esperam para esta quarta-feira (03) a chegada de uma nova missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem o objetivo de levar adiante as negociações sobre um empréstimo de US$ 4,8 bilhões.
O Egito e o Fundo firmaram um acordo em novembro do ano passado em torno deste valor, que foi suspenso em dezembro pelo governo egípcio em meio a protestos populares. Houve receio que medidas impopulares, como o aumento de impostos, pudessem causar mais instabilidade.
De lá para cá o Egito fez mudança em seu programa de reformas socioeconômicas e financeiras, que será reapresentado ao FMI. Diante disso, o diretor da instituição para o Oriente Médio e Ásia Central, Masood Ahmed, disse à Dow Jones que o total original poderá variar para mais ou para menos, dependendo das necessidades do país e da avaliação que será feita pela equipe do Fundo.
O ministro egípcio do Planejamento declarou que o plano inclui a redução dos subsídios aos combustíveis, com estipulação de uma cota, de acordo com a Dow Jones. A partir de 1º de julho, o consumo acima desta cota ficará sem o subsídio.
Além disso, segundo Araby, o governo quer diminuir o déficit orçamentário do país dos atuais 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para 9,4% em 2014 e 8,5% em 2015. Os egípcios esperam chegar a um entendimento com o FMI até o final deste mês.
Ainda de acordo com a Dow Jones, o ministro das Finanças do Egito, Al-Morsi Hegazi, afirmou que o país pretende pedir apoio financeiro para fundos árabes e instituições financeiras da região. Ele acrescentou que este era um dos objetivos da visita que realizou esta semana a Dubai.
Hegazi afirmou que o país abriu negociações para obter um empréstimo de US$ 465 milhões do Fundo Monetário Árabe. Segundo o jornal egípcio Al Ahram, o país já recebeu US$ 270 milhões deste Fundo e deverá receber em breve outros US$ 135 milhões referentes a um acordo anterior.


