Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – O Egito, país árabe do Norte da África, gasta o equivalente a R$ 4 bilhões com programas alimentares para a população de baixa renda. Essa cifra já expressiva, porém, não vai impedir o país de ampliar a sua atuação na área social. O país árabe vai se espelhar no Brasil para ajudar de forma ainda mais eficiente as pessoas pobres que vivem em seu território, conforme a ANBA noticiou esta semana. As informações são do ministro da Solidariedade Social do Egito, Ali El-Sayed Al-Moselhy, que está no Brasil para conhecer de perto os programas sociais do governo federal, em especial o Fome Zero. Al-Moselhy chegou no país no último final de semana, com uma comitiva, e embarca hoje (24) de volta para o Egito.
O Brasil gastou no ano passado R$ 9,2 bilhões com o Fome Zero, que tem como carro-chefe o Bolsa Família, programa pelo qual são repassados recursos financeiros mensais para famílias de baixa renda. Al-Moselhy vai se espelhar no programa do governo Luiz Inácio Lula da Silva para desenvolver mais a área social egípcia. Diferente do Brasil, porém, a idéia é criar um programa regionalizado, no qual serão estudadas as diferentes necessidades de cada área pobre do Egito e criadas ações para ela em setores como saúde, educação e alimentação. Al-Moselhy já conhecia o Fome Zero em teoria. “Foi muito importante para mim vir ao Brasil e ver como funciona”, disse o ministro à ANBA.
Durante dois dias, o ministro egípcio conversou com os executores e também com beneficiados dos programas sociais desenvolvidos no município de Guarulhos, como parte do Fome Zero. Ontem esteve na sede do Bolsa Família, em Guarulhos. No local, visitou o arquivo com os cadastros das famílias que recebem o benefício, a sala de assistência social, de onde sai a fiscalização dos beneficiários, e fez várias perguntas para a coordenadora do Bolsa Família na cidade, Rosângela Aparecida da Silva. Al-Moselhy quis saber de cada detalhe. Ele pretende levar profissionais do Brasil, que conhecem a fundo o Fome Zero, para ajudar a implementar programas sociais em seu país.
Em Guarulhos, o ministro conheceu também Vinícius Henrique. O menino, de um ano, é filho de Zenilda Maria dos Santos Cruz, de 24 anos, beneficiada pelo programa. Al-Moselhy quis ver o cartão do Bolsa Família, com o qual as pessoas carentes retiram os recursos que recebem no banco. E Zenilda foi incumbida de mostrar-lhe o seu. Depois da relutância de Vinícius Henrique, que estava com o cartão em mãos e não queria entregá-lo ao ministro, mãe e filho fizeram até foto com o líder egípcio. Acostumado a lidar com o dia-a-dia da sua pasta, justamente a solidariedade social, o ministro fez perguntas detalhadas e exigiu respostas exatas, mas também brincou e conversou com quase todas as pessoas dos locais onde passou.
No Asilo Lar Portal da Esperança, que recebe doações de comida do Banco de Alimentos, que integra o Fome Zero, Al-Moselhy conversou com os idosos, quis provar o limão e a goiaba da cozinha deles, tirou várias fotos dos voluntários que trabalham no local. Só não se comunicou mais porque não fala português. No final da visita, recebeu até de presente, de uma das voluntárias, uma toalhinha e uma garrafa com enfeites artesanais feitos pelos velhinhos. E prometeu retribuir quando ela for ao Egito. O asilo abriga 20 idosos, é mantido com doações da comunidade local, além de alimentos do Banco de Alimentos, e pelo trabalho de voluntários.
Além da sede do Bolsa Família e do asilo, Al-Moselhy também conheceu ontem outro restaurante popular da cidade. De gorro na cabeça, foi checar na cozinha como é feita a comida que depois chega à população por refeições a R$ 1. O ministro e a comitiva também conheceram o Restaurante Escola Aprendiz Solidário, onde adolescentes de baixa renda aprendem a cozinhar. No local são preparadas 60 refeições por dia, consumidas pelos alunos, e também feitos 120 litros de sopa, que são distribuídos para a população de regiões carentes do município. Os alunos prepararam pão de frutas, bolo de milho e até alguns pratos árabes, como o homus, para o líder egípcio provar.
Em entrevista coletiva à imprensa, no final do dia, Al-Moselhy afirmou que os programas sociais do Brasil deveriam ser vistos mundo afora. “O Brasil é líder na área social”, disse o ministro. Ele novamente elogiou a integração que há entre o trabalho dos governos federal e locais e a sociedade civil. Al-Moselhy assinou em Brasília um acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que deve permitir aos dois países darem continuidade ao intercâmbio nesta área.

