São Paulo – O Brasil está entre as prioridades do Egito na área de cooperação internacional. A informação foi dada nesta sexta-feira (02) pela ministra da Cooperação Internacional, Fayza Abul Naga, durante visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. “O Brasil vem como uma prioridade entre os países com os quais queremos ampliar a cooperação”, disse ela em entrevista.
Segundo Fayza, há muita coisa a ser partilhada entre o dois países e um dos objetivos de sua visita ao Brasil é justamente identificar áreas passíveis de intercâmbio. Um dos setores já identificados é a agropecuária. Na quinta-feira, ela esteve em Brasília onde se encontrou com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Reinhold Stephanes, e com representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A ministra afirmou que foram discutidas áreas onde há interesse por troca de conhecimento, como as culturas de milho, algodão, soja, batata e cana-de-açúcar. “O Brasil tem mostrado claramente a intenção de ajudar países africanos. O Egito está nesta condição e acredito que é uma área que podemos explorar mais”, declarou Stephanes, de acordo com nota do Mapa.
Além de africano, o Egito é um país árabe e Fayza lembrou que as duas regiões são prioridades da política externa do governo brasileiro. A ministra representou o Egito na 2ª Cúpula América do Sul-África, realizada no último final de semana, na Venezuela. Ao ouvir o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela ficou especialmente interessada na parte em que ele falou sobre o desenvolvimento da agricultura no cerrado brasileiro.
Antes considerado improdutivo, o cerrado, que tem características semelhantes às da savana africana, é hoje uma das áreas com maior nível de produtividade de grãos no mundo. Muito desse desenvolvimento foi possível por causa das pesquisas da Embrapa. “Queremos as boas práticas do Brasil”, afirmou Fayza, lembrando que a maior parte do território de seu país é desértica. A Embrapa desenvolveu também sementes, técnicas de manejo do solo e irrigação que garantem alta produtividade em regiões semi-áridas.
A ministra destacou também que o Egito tem interesse em adquirir mais conhecimento na área de criação de frangos e outros animais, inclusive na produção de vacinas. O ramo avícola foi profundamente afetado pela gripe aviária e hoje, de acordo com ela, a brasileira Sadia é a principal distribuidora de frangos no Egito. Faz pouco tempo o país sequer importava frangos do Brasil.
Acordo
Fayza afirmou que a delegação egípcia apresentou uma proposta de acordo de cooperação entre a Embrapa e o Centro de Pesquisa Agrícola do Egito. O presidente do Centro, Ayman Abou Hadid, foi um dos integrantes da delegação da ministra ao Brasil. “A agricultura é um motor para o crescimento, especialmente quando envolve pequenos e médios produtores”, afirmou ela. “Temos culturas [agrícolas] e interesses em pesquisas similares”, acrescentou Hadid.
Fayza ressaltou que, além da exploração de oportunidades no Egito e no Brasil, empresários dos dois países podem firmar parcerias para atuar em outras nações da África. Ela disse ainda que seu país tem interesse em cooperação nas áreas de energias renováveis, pesca, mineração e turismo.
O presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin, declarou que a entidade quer auxiliar nesse esforço de intercâmbio para “trazer o Egito cada vez mais perto do Brasil”. Ele acrescentou que “há um forte compromisso do governo brasileiro com as relações com os países árabes”.
Além de Schahin, a ministra foi recebida na Câmara Árabe pelo secretário-geral, Michel Alaby, os vice-presidentes Helmi Nasr (Relações Internacionais) e Rubens Hannun (Marketing), além dos diretores Bechara Ibrahim e Mustapha Abdouni.
Ainda na sexta-feira, Fayza esteve na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde se encontrou com o vice-presidente, Elias Miguel Haddad, e os diretores adjuntos do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Maurice Costin e Antonio Bessa. Uma das questões tratadas foi a possibilidade da entidade participar de uma missão empresarial ao Egito.

