São Paulo – As exportações do Egito ao Brasil quadruplicaram em 2008, contribuindo para reduzir o déficit histórico que o país árabe tem na balança comercial bilateral. A informação foi dada ontem (06) à ANBA pelo embaixador brasileiro no Cairo, Cesário Melantonio Neto, durante visita à sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.
“As exportações brasileiras continuaram a crescer, mas é motivo de alegria ver que as exportações egípcias quadruplicaram, reduzindo o déficit”, disse o diplomata. Ele ressaltou que a corrente de comércio entre os dois países, que é a soma das exportações e importações, ultrapassou os US$ 1,6 bilhão no ano passado, ante US$ 1,3 bilhão em 2007.
Até novembro, as vendas egípcias ao Brasil estavam em US$ 203 milhões, um aumento de 309,51% sobre o mesmo período de 2007. Os produtos que mais contribuíram para o crescimento foram os superfosfatos e o fosfato de cálcio, insumos utilizados na indústria de fertilizantes.
O Brasil importou também quantidades significativas de outros químicos usados nas lavouras, além de nafta para a indústria petroquímica, matérias-primas para o ramo de tintas e algodão.
Na outra mão, as exportações brasileiras ao Egito renderam US$ 1,26 bilhão até novembro, um aumento de 11,32% sobre o mesmo período de 2007. As principais mercadorias embarcadas foram açúcar, minério de ferro, carne bovina, alumina calcinada, chassis para ônibus, fumo, óleo de soja, frangos, motocompressores e papel kraft.
Para Melantonio, a visita ao Brasil do ministro da Indústria e Comércio do Egito, Rachid Mohamed Rachid, ocorrida em agosto, teve influência fundamental na ampliação das relações comerciais. Depois dele, ainda estiveram no país os ministros das Finanças, Youssef Boutros Ghali, e do Petróleo, Sameh Fahmi.
“A imagem do Brasil no Egito é tão positiva que três ministros de peso visitaram o país em cinco meses, o que denota uma mudança qualitativa nos interesses”, afirmou o embaixador.
Segundo ele, a ampliação das relações vai continuar em 2009. “Apesar da crise internacional, os dois países têm sistemas financeiros saudáveis e boas taxas de crescimento em comparação com outros”, declarou.
Turismo
Uma das áreas que prometem é o turismo. Melantonio foi informado pelo ministro egípcio do Turismo, Zoheir Garranah, de que o número de visitantes brasileiros no país árabe triplicou em 2008, chegando a 45 mil pessoas. Isso num momento em que, por causa da crise, o número total de turistas diminuiu 28%.
“O Brasil passou a ser um emissor importante de turistas ao Egito”, afirmou Melantonio. Nesse sentido, Garranah pretende visitar o Brasil este ano para se encontrar com representantes de agências de viagens, jornalistas e membro do governo.
Ainda este ano deverão vir ao Brasil os ministros da Solidariedade Social, Ali El-Sayed Al-Moselhy, que já visitou o país em 2007, e da Agricultura, Amin Ahmed Abaza. Na outra mão, devem visitar o Egito os ministros brasileiros do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e das Comunicações, Hélio Costa.
Também para 2009, o embaixador destacou a realização de seminários sobre as relações econômicas bilaterais com empresários dos dois países, a participação do Brasil na Feira Internacional do Cairo, que pelo 10° ano consecutivo terá a presença da Câmara Árabe, e a realização de uma semana de cinema brasileiro no Cairo.
Ainda no primeiro trimestre haverá, no Cairo, uma reunião de chanceleres dos países árabes e sul-americanos para finalizar a agenda da 2ª cúpula dos dois blocos, que vai ocorrer em Doha, no Catar. Melantonio destacou o empenho da Liga dos Estados Árabes, que tem sede na capital egípcia, na realização do encontro de chefes de estado e de governo.
Em seus seis meses como titular da embaixada brasileira, Melantonio manteve também encontros com os ministros da Aviação Civil, Ahmed Mohamed Shafik, e da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi. O primeiro manifestou satisfação com o desempenho dos jatos comerciais da Embraer utilizados pela EgyptAir e o segundo comentou sobre o interesse do país na compra do turboélice de treinamento e ataque leve Supertucano, também fabricado pela companhia brasileira.
Na Câmara Árabe, o embaixador foi recebido pela diretoria. O presidente Antonio Sarkis Jr. entregou a ele uma placa de membro honorário da entidade.

