Brasília – O Egito está interessado em produção de biocombustíveis e em ter a parceria do Brasil para desenvolver este setor. A vontade foi manifestada ontem (13) pelo ministro da Indústria e Comércio do Egito, Rachid Mohamed Rachid, durante encontro com o ministro de Minas e Energia do Brasil, Edison Lobão. "O Egito tem muito interesse em aprender com o Brasil e trocar informações sobre energia renovável", afirmou Rachid à ANBA.
O Egito, que ainda não produz biocombustíveis, demonstrou interesse na produção brasileira de etanol. Segundo Lobão, o Brasil é reconhecido como o país que tem a matriz energética mais limpa do mundo. "Queremos ver como podemos cooperar com o Brasil nessa área", disse Rachid.
O etanol brasileiro é fabricado a partir da cana-de-açúcar e não com matérias-primas que também servem para a alimentação humana e de animais, como o milho usado para produção de álcool combustível nos Estados Unidos. Além disso, o Brasil tem vasta área ainda a ser aproveitada para todos os tipos de culturas, não sendo necessário o avanço da cana sobre outras lavouras ou áreas de preservação.
Segundo Rachid, o Egito não apóia a produção de alimentos com subsídios para produção de energia. "Não temos muitas terras agricultáveis, mas estamos receptivos para viabilizar a produção de biocombustíveis no Egito", disse o ministro. Ele afirmou ainda que além da área de biocombustíveis, os dois países poderiam cooperar em exploração de petróleo offshore, área na qual o Brasil é líder mundial em tecnologia.
Maior cooperação
Rachid afirmou que sua vinda ao Brasil foi muito positiva. "O objetivo era abrir mais canais entre o Brasil e o Egito e vamos sair do país com um nível mais elevado de cooperação", afirmou. Segundo ele, depois de todos os encontros que a delegação egípcia teve em São Paulo, com empresários, e em Brasília, com os ministros, as relações bilaterais vão melhorar ainda mais.
De acordo com o ministro, após os encontros comerciais que os empresários egípcios tiveram em São Paulo, o comércio bilateral, que chegou em US$ 1,3 bilhão no ano passado, também deverá crescer. Entre os setores que ele acredita que há potencial para aumentar o intercâmbio estão o automotivo, de autopeças, têxtil, agricultura, serviços e turismo.
Outros assuntos que Rachid destacou como importante, discutidos em sua viagem, foram a assinatura do memorando de serviços veterinários para o aumento do fluxo de comércio entre Brasil e Egito, principalmente de carnes, e a conversa com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre a assinatura do acordo de comércio com o Mercosul.

