São Paulo – O presidente do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi, disse nesta quinta-feira (22) que seu país tem o objetivo de atingir um crescimento econômico anual de 7% e criar novas oportunidades para a população.
“Nós precisamos garantir uma vida decente para o povo do Egito por meio de um crescimento liderado pelo setor privado”, declarou, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. “Isso significa promover justiça social, reduzir a burocracia, criar oportunidades iguais para todos os investidores e garantir uma política fiscal e monetária sólida”, acrescentou ele, segundo comunicado da organização do fórum.
Em 2012, o Egito cresceu 2,2%, em 2013, 2,1%, e em 2014, novamente 2,2%. De 2007 a 2011, o crescimento anual foi de 5,2% em média, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na última atualização do relatório Perspectivas Econômicas Regionais para o Oriente Médio e Norte da África, divulgada quarta-feira (21), o Fundo aumentou para 3,8% a projeção de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) egípcio para 2015, contra 3,5% na estimativa anterior, feita em outubro.
No fórum, Sisi declarou que atender as demandas do povo egípcio implica em concluir a renovação das instituições nacionais por meio de eleições parlamentares – que serão realizadas em março -, revitalizar o contrato social do país pelo desenvolvimento econômico e enfrentar a violência e o extremismo.
O presidente ressaltou que a população com menos de 40 anos será foco de atenção especial dos esforços do governo, dado o nível de desemprego nesta faixa etária e ao papel desempenhado pelos jovens nos levantes populares que puseram fim ao regime de Hosni Mubarak, em 2011. Posteriormente, o próprio Sisi liderou golpe militar que derrubou Mohammed Morsi, o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito, para então candidatar-se e vencer a eleição presidencial do ano passado.
Na seara internacional, o chefe de estado egípcio declarou que seu governo vai se esforçar para negociar um acordo entre palestinos e israelenses, e trabalhar com parceiros internacionais para enfrentar os desafios da agenda global. “Nenhum país consegue atingir seus objetivos isolado do mundo, mas, em compensação, o mundo tem a obrigação de criar as condições para uma integração bem sucedida [dos países] na economia global”, destacou.
Brics
Também nesta quinta-feira, no fórum, representantes dos Brics afirmaram que as nações do bloco ainda têm grande potencial, apesar da desaceleração econômica ocorrida recentemente. O grupo é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Em nome do Brasil, por exemplo, o ministro de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, disse que o país está retornando ao caminho de “meio termo” iniciado em 2003, o que significa combinar programas sociais com políticas econômicas favoráveis ao mercado. Ele afirmou que a desaceleração da economia não impediu avanços na área social.
O presidente do grupo Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, destacou que, apesar dos ajustes em andamento nos Brics, os países do bloco são capazes de crescer de forma robusta. “Nós continuamos a investir em todos estes países, porque nós não investimos para os próximos dois ou três anos, mas para os próximos dez ou 15 anos”, ressaltou ele, segundo outro comunicado do Fórum.
Fórum regional
A organização de Davos informou ainda que a edição do fórum voltada ao Oriente Médio e Norte da África voltará a ser realizada na Jordânia este ano. O tema escolhido é: “Formulando um novo contexto estratégico”.
De acordo com a organização, o evento vai discutir os acontecimentos regionais e os esforços de fortalecimento das instituições no Levante e no Norte da África. O Levante é o território que engloba Jordânia, Líbano, Síria, Iraque e Palestina. Para os promotores do fórum, há espaço para promoção do comércio e dos investimentos com os países árabes do Golfo, com os Estados Unidos, Europa e Ásia.
Dois temas deverão influenciar o debate, na avaliação dos organizadores: o “significativo realinhamento político em resposta aos desafios humanitários e de segurança no Iraque, Síria e Líbia”, e as transformações “fundamentais” nos setores de energia e tecnologia, que “estão transformando modelos de negócios e economias”. Na área de energia, a questão mais importante, não só para a região, mas para o mundo como um todo, é a forte queda dos preços do petróleo.
O fórum na Jordânia está marcado para maio. A última vez que o evento ocorreu no país foi em 2013.


