Randa Achmawi
Cairo – A antiga Biblioteca Nacional Egípcia, a Dar El Kotob, que significa Casa dos Livros, em árabe, construída em 1870, acaba de ser restaurada. O espaço foi transformado em museu para abrigar bens culturais e patrimoniais do país árabe e reaberta há cerca de dez dias. Situada na região de Bab Al Khalq, na zona sul do Cairo, a Biblioteca Nacional do Egito foi fundada após um decreto de Ismail Pasha, líder do império turco-otomano que governava o país na época, e a idéia da construção partiu de Ali Mubarak Pasha, então ministro da Educação do Egito. Foi a primeira instituição do gênero no mundo árabe.
"Ela foi criada para abrigar os manuscritos e arquivos de grande valor oferecidos aos príncipes e sultões da época", explica o presidente do conselho administrativo da Biblioteca Nacional do Egito, Mohamed Saber Arab. Segundo ele, inicialmente o decreto previa que a biblioteca fosse instalada no andar térreo do palácio do irmão de Ismail Pasha, o príncipe Mustafá Fadel, que morava no bairro de Darb Al-Gamaniz. A Dar El Kotob está situada, hoje, no mesmo lugar onde se encontra o Museu Egípcio de Arte Islâmica. Ela foi transferida para o local em 1903. É essa a sede que foi restaurada. No mesmo espaço, ao lado dos manuscritos e livros raros, também estão peças de arte islâmica do mundo que datam de diferentes períodos da história desta região.
"Na realidade este não é um edifício tradicional, trata-se de uma instituição que foi, durante um período extremamente longo, uma verdadeira fonte de reflexão cultural para este país, através da qual o Egito exerce um papel extremamente importante no mundo árabe", ressalta Saber Arab. De acordo com o presidente do conselho administrativo do espaço, é por esta razão que a restauração e a modernização da instituição é algo essencial para a cultura no Egito. "Nossa Biblioteca Nacional é comparável às maiores do mundo", afirma.
A intenção da administração da Dar El Kotob, com as melhorias, foi transformar a antiga construção de dois andares, localizada em Bab Al-Khalq, em um grande museu para o patrimônio e para a cultura, reunindo os manuscritos e publicações raras, assim como os primeiros livros datando da época da criação da imprensa, como ocorre, por exemplo, na Biblioteca Nacional da França. "Nosso objetivo é que Dar El Kotob reencontre a sua posição privilegiada no mapa cultural do Egito e reconquiste sua qualidade de acervo contendo a memória de nossa nação", diz Saber Arab.
Segundo ele, a Dar El Kotob possui uma das mais importantes coleções de manuscritos, papirus, arquivos e livros raros de todo o mundo graças ao seu valor histórico. "Apesar disso, poucos egípcios ou estrangeiros, salvo alguns poucos especialistas e pesquisadores, freqüentaram o local", ressalta Saber Arab. De acordo com ele, durante muito tempo, porém, nenhuma medida concreta foi tomada para colocar em evidência as preciosas coleções de objetos e livros raros. "Foi somente em 1996 que o Ministério da Cultura tomou essa iniciativa", afirma.
O custo total dos trabalhos de melhoria da instituição chegou aos 85 milhões de libras egípcias (US$ 15 milhões), entre os quais 29 milhões de libras egípcias (US$ 5 milhões) foram doações feitas por fundações, institutos e personalidades egípcias e estrangeiras. O projeto de restauração começou a ser feito no ano 2000. "A partir de então os manuscritos, papiros, as coleções de moedas, assim como as primeiras publicações começaram a ser expostas de maneira mais adequada", explica Maher El Guindi, funcionário do estabelecimento.
O museu possui sete salas permanentes espalhadas pelos diversos andares do edifício, onde está o acervo. As placas dando explicações sobre os objetos expostos contêm informações tão detalhadas que os visitantes podem perfeitamente fazer a visita de todo o local sem o auxílio de guias.
Aberto ao público pela primeira vez em 1903, o edifício de Dar El Kotob, que se estende por uma área de quatro mil metros quadrados, foi construído no estilo mameluco. "Este era o estilo das construções no Cairo da época islâmica" acrescenta El Guindi. De acordo com ele, os trabalhos de restauração dispensaram todos os cuidados e técnicas de restauração extremamente modernas para que o aspecto original de 100 anos atrás fosse preservado. A Biblioteca Nacional foi reaberta, após a restauração, pelo próprio presidente egípcio, Hosni Mubarak.

