São Paulo – O Egito vai começar a receber imagens do satélite Cbers, que pertence ao Brasil e à China. Um memorando que prevê a ampliação da recepção do satélite para três estações na África foi assinado na última semana, durante viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China. Além da estação egípcia, também uma nas Ilhas Canárias e outra na África do Sul terão a recepção. As imagens do Cbers são distribuídas gratuitamente, mas para que elas cheguem aos países é necessário um sistema de recebimento.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a decisão da China e do Brasil de distribuir as imagens para a África é recente e vai permitir que os governos e organizações africanos monitorem desastres naturais, desmatamento, ameaças à produção agrícola e riscos à saúde pública. Brasil e China usam os dados para monitoramento ambiental, desenvolvimento agrícola, planejamento urbano e gerenciamento hídrico.
As imagens e informações estão disponíveis para qualquer usuário, mas de acordo com o Inpe, os mais beneficiados são os países da América do Sul, que recebem os dados a partir das antenas de recepção do Inpe em Cuiabá, no Mato Grosso. Desde 2004 já foram disponibilizadas mais de meio milhão de imagens para 20 mil usuários a partir do Brasil. Na China já foram distribuídas 20 mil imagens, segundo o Inpe.
No Brasil, por exemplo, as imagens são usadas por organismos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para atualizar mapas em projetos de sistematização de solo, e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para processos ligados à reforma agrária. Também a companhia petrolífera Petrobras, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) usam as imagens do Cbers.
As imagens usadas são transmitidas pelo satélite Cbers 2-B, que foi colocado em órbita em setembro de 2007. Foram lançados anteriormente outros dois satélites, o Cbers 1 e o Cbers 2, que estão inoperantes atualmente. Com o lançamento do Cbers, o Brasil estreou na tecnologia para fornecimento de dados de sensoriamento remoto. Antes, o país dependia de imagens de equipamentos de estrangeiros.
O acordo entre Brasil e China foi assinado em 1998. Desde então, já foram investidos US$ 350 milhões pelos dois países. A iniciativa transformou o Brasil, de acordo com o Inpe, em um dos maiores distribuidores de imagens orbitais do mundo. A política de livre acesso às imagens também fez com que a medida fosse seguida por outros países, como os Estados Unidos. Ao lado do norte-americano Landsat, do francês Spot e do indiano ResourceSat, o Cbers tornou-se um dos principais programas de sensoriamento remoto do mundo.

