Alexandre Rocha, enviado especial
Cairo – Ao contrário da Zona Franca de Manaus, que vende a maior parte de sua produção no mercado interno brasileiro, as indústrias instaladas nas zonas francas do Egito trabalham quase que exclusivamente para atender o mercado externo. "As zonas francas são como enclaves, totalmente voltadas para fora", disse o secretário-geral da Federação das Câmaras de Comércio Egípcias, Yasser El Kady.
Tanto isso é verdade que, para comprar insumos, equipamentos e exportar, as empresas têm isenção fiscal. No entanto, nas vendas ao mercado interno, há incidência de impostos. No que diz respeito à tributação, o produto fabricado nesses locais é vendido no Egito como se fosse importado.
Os espaços começaram a ser construídos a partir dos anos 70. O objetivo do governo egípcio era incentivar atividades voltadas à exportação, por meio da isenção total de impostos. Nessa época, a economia do país era muito fechada.
Outros objetivos das zonas francas egípcias são a entrada de novas tecnologias e investimento diretos no país e a geração de empregos. Hoje existem sete zonas francas no Egito, são localizadas próximas a portos ou aeroportos, no Cairo, Alexandria, Port Said, Ismailia, Suez, Damietta e em Giza.
São denominadas "públicas" porque reúnem diversas indústrias de diferentes setores. Existem também zonas francas chamadas de "privadas", que consistem apenas num tipo de negócio, mas gozam dos mesmos benefícios. Uma empresa, por exemplo, pode instalar uma fábrica e se tornar uma "zona franca privada".
Nos arredores do Cairo
Todas os distritos, exceto o de Giza, que concentra apenas empresas de mídia, contam com companhias que atuam nas áreas industrial, de armazenagem e de serviços. Uma delas é a de Nasr City, localizada nos subúrbios do Cairo. Lá estão concentradas empresas que atuam principalmente nos setores têxtil, químico e petroquímico, de produtos farmacêuticos, tecnologias da informação e fornecedoras de equipamentos e serviços para o setor de petróleo. São 40 mil postos de trabalho.
De acordo com o diretor do local, Hosny Soliman, ao todo 125 empresas estão instaladas na vila industrial que foi fundada em 1974. "Em sua maioria são joint-ventures entre companhias egípcias e estrangeiras", disse. Segundo o executivo, os investimentos realizados lá originaram de diversos países, além do próprio Egito. Índia, Arábia Saudita, Kuwait, Suécia, Inglaterra, Alemanha, Paquistão, Taipam e Coréia do Sul investiram na região.
Como funciona
Para abrir uma fábrica na zona franca é preciso submeter o projeto ao conselho de diretores do local, detalhando a atividade, o tamanho do capital e sua origem, o número de empregos que se espera criar, entre outras informações. No entanto, de acordo com Solimam, não é exigida nenhuma contrapartida do interessado, como o uso de uma quantidade mínima de insumos locais, por exemplo.
Segundo ele, os contratos têm duração de 25 anos prorrogáveis automaticamente pelo mesmo prazo. A zona franca, de acordo com o diretor, fornece energia elétrica, água, linhas telefônicas e gás a preços baixos e o aluguel cobrado por metro quadrado pelo terreno vai de US$ 3,5, para empreendimentos industriais, a US$ 7 ao ano para projetos de armazenagem ou serviços.
O interessado arca somente com o custo da construção. No ano passado, de acordo com Soliman, as empresas investiram US$ 2,5 milhões. Mas, ao visitar a zona franca de Nasr City, não espere ver algo grandioso. Na aparência é apenas um distrito industrial, cheio de fábricas, galpões e areia do deserto sobre o asfalto.
Soliman diz, no entanto, que não há mais espaço disponível em sua zona franca de Nasr City, mas que esta tentando incorporar novos espaços à área, que hoje é de 706 mil metros quadrados.

