São Paulo – O plano de desenvolvimento da indústria no Egito prevê a ampliação da carteira de investimentos diretos no setor para mais de 175 bilhões de libras egípcias (US$ 31,2 bilhões pelo câmbio atual) até 2011. Em 2008, o total de investimentos industriais no país chegou a 117,2 bilhões de libras (quase US$ 21 bilhões), segundo informações do chefe do departamento de planejamento, marketing e informação da agência local de desenvolvimento industrial (IDA, na sigla em inglês), Ashraf Dowidar.
Até 2011, de acordo com ele, mais 36,4 bilhões de libras (US$ 6,5 bilhões) terão sido investidas em projetos em áreas alocadas pelo governo, e mais 22,1 bilhões de libras (quase US$ 4 bilhões) em zonas industriais desenvolvidas pela iniciativa privada ou por governos de outros países, como Jordânia, China, Turquia, Arábia Saudita e Espanha. Os focos principais da estratégia industrial egípcia são os ramos automotivo, de construção naval, de equipamentos médicos e têxtil.
De acordo com Dowidar, o plano, que estabeleceu metas a serem cumpridas entre 2005 e 2011, prevê a construção de mil unidades industriais de diferentes tamanhos. Até o momento foram erguidas 924. Outros objetivos são a ampliação das exportações de manufaturados para 75 bilhões de libras (US$ 13,4 bilhões), sendo que em 2008 elas chegaram a 63 bilhões (US$ 11,2 bilhões); e a criação de 1,5 milhão de empregos. Já foram gerados 970 mil.
Ontem (04) Dowidar, que integra a missão egípcia que está em São Paulo para promover oportunidades de investimentos, fez uma apresentação para representantes da indústria têxtil brasileira na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Desde o início da semana, ele fez também apresentações para o setor de equipamentos médicos e hospitalares e para o ramo de autopeças.
Ao lado de seu assessor para desenvolvimento de investimentos, Mohamed Hassan El-Banna, e do chefe de promoção de investimentos da Agência Geral de Investimentos e Zonas Francas (Gafi, na sigla em inglês), Mohamed Rizk, Dowidar disse que as exportações da indústria têxtil egípcia crescem de modo contínuo desde 2004, tendo atingido US$ 2,35 bilhões no ano passado. Os principais mercados são a Europa e os Estados Unidos. O total investido nesse setor chegou a US$ 4,94 bilhões em 2008.
Como atrativos para os investimentos estrangeiros, ele citou o baixo custo dos terrenos e da mão-de-obra, a localização geográfica do país e os acordos de comércio existentes entre o Egito e a União Européia, os Estados Unidos e outros países árabes e africanos, que prevêem preferências tarifárias na importação de produtos egípcios.
Dowidar citou também o baixo custo de insumos como água, energia elétrica e gás natural e o crescimento do mercado interno. O Egito tem uma população de mais de 78 milhões de pessoas. Ele e Rizk afirmaram ainda que diferentes modelos de negócios podem ser implantados pelos investidores externos, variando desde o aluguel de uma pequena linha de montagem na fábrica de terceiros até a construção de grandes indústrias.
O governo egípcio, segundo o executivo, tem promovido conferências internacionais para apresentar as oportunidades de investimento. Ele disse que, se houver interesse da indústria brasileira, um evento do gênero pode ser realizado no Brasil. A Gafi nomeou uma funcionária, Basma Ellaithy, para atender exclusivamente as demandas das companhias brasileiras.

