São Paulo – O Egito tem 52 projetos de parcerias público-privadas (PPPs) prontos para serem licitado. De acordo com a vice-presidente da agência egípcia de promoção de investimentos (Gafi, na sigla em inglês), Neveen El Shafie, o primeiro-ministro do país, Ahmed Nazif, já autorizou a abertura de concorrências, que podem ser disputadas por empresas locais e internacionais.
Segundo ela, todos os projetos são na área de infraestrutura, como construção de rodovias, portos e transporte hidroviário. “São todos os tipos de obras de infraestrutura”, afirmou. As PPPs fazem parte de um plano de incentivo ao crescimento econômico adotado pelo Egito. Mesmo com a crise, o governo alega que o país deverá crescer pelo menos 4% no atual ano fiscal, que termina este mês.
Ontem (03), Neveen, o vice-presidente da Bolsa de Valores do Egito, Mohammed Omran, e outros integrantes da delegação egípcia que está em São Paulo para promover oportunidades de investimentos, visitaram instituições como o banco ABC Brasil, subsidiária do Arab Banking Corporation, com sede no Bahrein; o banco UBS Pactual; a Comissão de Valores Mobiliários (CVM); a Coteminas; do ramo têxtil; e o grupo Schahin, que pertence ao presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Schahin.
Durante a reunião no ABC, Omran declarou que seu país passa por um processo “agressivo de reforma financeira e de liberalização”. Como um dos objetivos da missão é atrair investimentos brasileiros ao Egito, os executivos do ABC, Sérgio Jacob e Angela Martins, contaram que o banco criou recentemente uma divisão de fusões e aquisições de empresas que pode auxiliar na realização de parcerias internacionais, especialmente no mundo árabe, dada a origem da instituição.
Neveen acrescentou que, além das PPPs, empresas estrangeiras podem investir em projetos 100% próprios em seu país, mesmo na área de infraestrutura. Ela contou que historicamente entre 60% e 70% dos investimentos estrangeiros diretos (IED) que entravam no Egito iam para o ramo de petróleo e gás, mas nos últimos anos eles têm sido destinados, em sua maior parte, a setores como o de tecnologias da informação e comunicação, bancário, turismo, têxtil e agrícola. Em 2008, porém, quando a cotação do barril do petróleo chegou a US$ 150, houve uma retomada dos aportes na área.
No UBS Pactual, os egípcios conversaram com os executivos Olavo Tortelli e Ricardo Lutfalla, que falaram sobre o quadro atual da economia brasileira. Segundo eles, existem bons sinais de recuperação em indústrias como a de construção e a automobilística, e os investidores estrangeiros voltaram a aplicar um grande volume de recursos no mercado de capitais. Os egípcios ficaram bastante interessados na resistência da economia brasileira à crise internacional.
Omran declarou que a Bolsa de Valores do Egito também tem “muitas opções para investimentos” e que sua organização vem tentando atrair mais capitais da Ásia, Pacífico, e agora da América Latina. Na CVM, ele conversou sobre a regulação do mercado brasileiro com os gerentes Waldir de Jesus Nobre, Eduardo José Busato, Marcos Lorena Dutra e Luciana Pereira Costa.
Parte da delegação egípcia teve ainda um encontro com empresas do ramo de autopeças na Câmara Árabe. Nele, o chefe de promoção de investimentos da Gafi, Mohamed Rizk, e o chefe do departamento de planejamento, marketing e informação da agência de desenvolvimento industrial, (IDA, na sigla em inglês), Ashraf Dowidar, falaram sobre o ambiente para investimentos no país árabe e sobre a indústria, especialmente o setor automobilístico.

