Isaura Daniel
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São José dos Campos – A EgyptAir Express, empresa aérea do Egito, e a Embraer, fabricante brasileira de aeronaves, estão negociando uma parceria para abrir um centro de serviços no país árabe. A notícia foi divulgada ontem (14) na sede da Embraer, em São José dos Campos, interior paulista, durante a entrega do primeiro avião que a empresa egípcia comprou da brasileira. A EgyptAir assinou no ano passado um contrato para a compra de seis aviões Embraer 170 com opção de mais seis.
Atef Abdel Hamid, chairman da EgyptAir Holding Company, dona da EgyptAir Express, afirmou à ANBA que a empresa pretende exercer a opção e adquirir as 12 aeronaves. Ele esteve na Embraer, acompanhado de outros executivos da empresa, para receber a aeronave. De acordo com Hamid, os outros seis aviões que a EgyptAir vai comprar da Embraer serão maiores, dos modelos Embraer 190 ou Embraer 195. O acerto deve ser feito em outubro, quando as primeiras unidades terão sido entregues.
O centro de serviços que a Embraer e a EgyptAir devem abrir no Egito ainda está sendo negociado. De acordo com informações da indústria brasileira, porém, a EgyptAir é quem deve operar o centro, que será responsável por fazer a manutenção das aeronaves da Embraer que atuam na região. A empresa brasileira já vendeu aviões comerciais, no mundo árabe, para Arábia Saudita, Egito, Líbia e Jordânia. Atualmente, os centros de manutenção da Embraer mais próximos destes países ficam na Europa.
O Embraer 170 que foi entregue ontem será também o primeiro avião da EgyptAir Express. A companhia, cuja holding é dona também da Egypt Airlines, foi criada para atuar com aviação doméstica e regional e começa a operar no próximo mês. De acordo com Hamid, ela voará, a princípio, para 12 destinos dentro do próprio Egito. Mais adiante vai operar também linhas para países próximos, com até duas horas de vôo, como Líbano, Jordânia, Arábia Saudita, Turquia e Malta. Já a EgyptAir Airlines vai ficar encarregada de vôos mais longos, como os internacionais.
"Esse tipo de aeronave, da Embraer, é excelente para rotas curtas", afirmou Hamid. A Embraer disputou o contrato com a sua concorrente, a canadense Bombardier. "O produto da Embraer é mais elegante, mais avançado", afirmou o executivo da EgyptAir. As aeronaves, chamadas também de E-Jets, têm capacidade para acomodar 76 passageiros e têm bancos de couro. "Os aviões têm capacidade de bagagem e sistema de refrigeração bastante bons", disse o diretor-presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado.
Curado afirmou que a entrada da Embraer na região é resultado de esforços de marketing que começaram a partir do escritório da fábrica em Paris na década de 90. A desregulamentação e a abertura pela qual vem passando a aviação na região, porém, segundo ele, estão favorecendo as vendas da empresa. O mercado do Oriente Médio e da Ásia, para os aviões da Embraer, segundo Curado, cresce mais rápido do que os tradicionais. Até que esse mercado se torne mais relevante para a empresa, porém, ainda vai demorar um pouco segundo Curado.
De acordo com ele, atualmente, os Estados Unidos respondem por 50% a 60% das vendas da empresa, a Europa por 20% e as demais regiões do mundo pelo restante. O crescimento do mercado no Oriente Médio está muito ligado, segundo ele, com a economia. "Existe correlação entre tráfego aéreo e atividade econômica e como o Oriente Médio está crescendo em função do petróleo, isso puxa a atividade econômica e o tráfego aéreo", afirmou.

