Rabat – Com o capitão Achraf Hakimi praticamente fora da fase de grupos da Copa Africana de Nações por causa de uma lesão, Ayoub El Kaabi assumiu o protagonismo da seleção do Marrocos, país-sede do torneio.
Enquanto Hakimi, eleito melhor jogador africano de 2025, entrou em campo apenas uma vez, saindo do banco, El Kaabi decidiu logo na estreia. O atacante marcou um golaço de bicicleta e fechou a vitória por 2 a 0 sobre Comores.
A atuação garantiu ao jogador de 32 anos uma vaga como titular no empate em 1 a 1 com o Mali. Mesmo sem repetir o brilho nesse jogo, El Kaabi voltou a ser decisivo na vitória por 3 a 0 sobre a Zâmbia, na segunda-feira, resultado que assegurou ao Marrocos a liderança do Grupo A e a classificação às oitavas de final, contra a Tanzânia.
Na partida, o atacante do Olympiacos abriu o placar de cabeça e marcou novamente de bicicleta para fechar o resultado. O desempenho colocou o jogador no centro das atenções da torcida marroquina, apesar de ele nunca ter se consolidado como titular absoluto da seleção desde sua estreia, antes da Copa do Mundo de 2018.
Viralizou
A atuação de El Kaabi também repercutiu fora de campo. Vídeos de torcedores tentando repetir o gol de bicicleta em situações inusitadas circularam nas redes sociais e somaram milhões de visualizações.
Em Casablanca, um show de drones reproduziu a imagem do atacante marcando um gol acrobático no céu da cidade. Outro vídeo bastante compartilhado reúne gols de bicicleta marcados por El Kaabi ao longo da carreira — um tipo de finalização que se tornou sua marca registrada.
Na temporada 2020/21, sua primeira pelo Wydad Casablanca, ele marcou quatro gols desse tipo. Pela seleção, já havia repetido o feito antes da atual Copa Africana, incluindo um gol contra o Benin, em junho do ano passado.
“O mais importante é marcar. Não importa quem marca ou como marca”, afirmou El Kaabi após a vitória sobre a Zâmbia.
De carpinteiro a artilheiro
A trajetória do atacante começou nas ruas de Casablanca. Criado no bairro popular de Derb Milà, El Kaabi conciliou o futebol com o trabalho como carpinteiro para ajudar a família.
“Cresci em uma comunidade. Nossa situação financeira era difícil. Eu estudava e, no verão, trabalhava para ajudar em casa”, contou em entrevista ao site da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa), em 2024. “Eu ajudava meu pai, que trabalhava na construção civil. Esse trabalho me ajudou a me tornar quem sou hoje.”
Ele assinou seu primeiro contrato profissional apenas em 2014, aos 21 anos, com o Racing Casablanca. Depois de se destacar na segunda divisão, passou pelo Renaissance Berkane, chegou à elite do futebol marroquino e teve uma experiência no futebol chinês antes de ganhar projeção internacional.
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