Dubai – Como diz a propaganda, “Bom Bril tem mil e uma utilidades”. Até na construção civil. A tradicional fábrica brasileira de lã de aço produz também uma fibra do mesmo material que, misturada ao concreto, serve para reforçar a estrutura. A empresa expõe pela primeira vez o produto na Big 5 Show, feira da construção que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e, assim como outras companhias que integram o pavilhão do Brasil, está em busca de novos mercados.
A gerente de exportação da marca, Regina Cohen, disse nesta quarta-feira (24) à ANBA que a indústria fabrica a fibra desde que foi fundada, mas exclusivamente para exportação. Os principais mercados, que geravam contratos de longo prazo, eram Estados Unidos, União Européia e países da América Latina, mas com a crise financeira internacional esses negócios diminuíram sensivelmente.
A solução foi sair em busca de novos mercados. “Nunca vimos necessidade de prospectar, a demanda era muito maior do que a oferta, mas o mundo virou de ponta cabeça”, afirmou Regina. E até agora, segundo ela, os contatos realizados foram positivos. “Gostei da feira, achei que foi bem dirigida, o volume de contatos objetivos foi bom”, acrescentou.
O curioso é que, apesar do produto ser fabricado há 60 anos pela empresa, está sendo visto pelos visitantes como “nova tecnologia”, de acordo com Regina, já que é pouco conhecido na região, e mesmo no Brasil. O material é indicado para pisos de locais públicos, com circulação intensa, como estacionamentos, pois evita rachaduras que podem ser causadas pelo atrito.
A fibra, segundo ela, é um subproduto da fabricação de lã de aço, então a produção é bem grande, uma vez que a companhia é líder no ramo de produtos de limpeza no Brasil. Regina quer encontrar clientes interessados em importar diretamente, sem intermediários.
Na mesma linha, a Granipex busca novos mercados para seus pisos e revestimentos de pedra. Assim como a Bom Bril, os principais clientes estavam nos Estados Unidos e na Europa. “Mas a crise nos levou a experimentar coisas novas”, disse a gerente geral da unidade que a empresa brasileira mantém em Lisboa, capital de Portugal, Gisella Tortoriello.
Ela está satisfeita com o número de visitantes. O espaço da Granipex é visivelmente um dos mais movimentados do pavilhão brasileiro na Big 5. De acordo com Gisella, há muito interesse por granitos com cores amareladas e bege, muito usadas na região, além de tonalidades consideradas “exóticas”, como uma que parece com ferrugem.
A empresa fez algumas exportações ao Oriente Médio no passado, mas pequenas. “A ideia é aumentar mesmo a participação”, declarou Gisella, que participa da feira também pela primeira vez.
Marketing
Quem já está no mercado é a Deca, fabricante de louças e metais sanitários, representada em Dubai e na região como um todo pela Arteco, dos sócios Mohamed Elshamy e Ehab Al Jamal. “Apresentamos os produtos aqui para arquitetos e decoradores de interiores, que têm respondido bem”, afirmou Elshamy.
A Arteco representa a Deca há dois anos e, segundo ele, os itens têm bom potencial no mercado, pois combinam grande variedade de modelos, qualidade e bom preço em comparação com os concorrentes europeus.
Elshamy e seu sócio têm duas lojas em Dubai e pretendem abrir uma terceira. De acordo com ele, os produtos brasileiros em geral são considerados novos no mercado e precisam de marketing. É por essa razão que a empresa está expondo na feira. “Mais pessoas estão conhecendo”, afirmou.
Já Marcos Pinto, da Mineração Guidoni, disse que o movimento na feira está mais fraco este ano. A empresa expõe na Big 5 pela quinta vez. “Fizemos muitos contatos, mas nada de concreto”, declarou.
As principais dificuldades, segundo ele, são a concorrência dos produtos chineses, mais baratos, e a falta de novos projetos em Dubai. No passado, a companhia forneceu material para fazer o piso do Mall of the Emirates, um dos maiores e mais populares do emirado. As exportações são o principal negócio da empresa.

