Rio de Janeiro – De 1507 a 1650, Portugal marcou presença em Omã. O famoso navegador Vasco da Gama passou por Mascate e Ormuz, por exemplo, antes de ir para a Índia. Os portugueses construíram fortes para vigiar suas rotas de navegação e estas construções ainda hoje enfeitam a paisagem do país árabe.
Este passado de presença portuguesa em comum com o Brasil atraiu representantes da Autoridade de Arquivos e Registros Nacionais de Omã ao País. Esta semana, eles visitam o Arquivo e a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e o Arquivo Público do Estado da Bahia, em Salvador.
“Portugal esteve em Omã nos séculos 16 e 17, como esteve no Brasil. Esperamos ter registros em comum, registros omanitas nos arquivos brasileiro e na Biblioteca Nacional. Queremos ver se encontramos alguns desses registros e conseguimos cópias deles, para termos ideia do relacionamento histórico entre Omã e o Brasil”, explicou Hamood Salim Al-Hinai, chefe de arquivos privados da instituição. Ele viaja acompanhado do tradutor Saif Abdullah Al Kalbaini.
Hinai conta que, além de Mascate e Ormuz, os portugueses passaram por outras cidades omanitas, como Khasab e Salala. Os exploradores europeus se relacionaram com omanitas também em territórios na África, como Zanzibar, na costa da atual Tanzânia, e Mombasa, no Quênia. O pesquisador árabe espera encontrar registros destas passagens históricas nos arquivos brasileiros e também cartas de Vasco da Gama que falem do período em que o navegador passou por Omã.
A agenda dos pesquisadores omanitas começa nesta (27), com uma visita ao Arquivo Nacional, na capital fluminense. Na quarta (28), eles seguem para a Biblioteca Nacional, também no Rio. Na quinta (30), eles encerram os compromissos com uma reunião no arquivo público baiano.
É possível que no Arquivo Público da Bahia, Hinai possa encontrar alguns dos registros que busca. O local possui diversos documentos em árabe arcaico, cujo teor ainda é desconhecido dos brasileiros, que, por sua vez, esperam que a visita dos pesquisadores omanitas possa ajudar a desvendar o conteúdo das cartas trocadas no período colonial.
“Fomos informados que o Brasil tem alguns registros e documentos históricos em árabe. Isso é interessante para nós, porque a história entre Omã, Portugal e o Brasil está toda relacionada. Estamos buscando estes documentos históricos sobre Omã e queremos fazer parcerias com o Brasil para trocarmos estes registros e documentos”, afirmou Hinai.
Além de ver os documentos que o Brasil possui, a delegação árabe trouxe na bagagem dezenas de arquivos históricos, os quais pretende expor no País. “São documentos sobre as relações entre Omã, Portugal, França, Reino Unido e Estados Unidos”, revela Hinai. Segundo ele, há 50 arquivos, entre cartas, documentos, mapas e acordos comerciais. Os pesquisadores pretendem realizar a exposição no Rio e em Salvador. Os detalhes serão acertados nas reuniões que serão realizadas esta semana.


