Alexandre Rocha
São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca amanhã (28) em Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial (FEM), que começou ontem. Nas sessões do Fórum e nas atividades paralelas, os representantes do governo vão fazer, entre outras coisas, um balanço do desenvolvimento do Brasil nos últimos dois anos, desde que Lula participou pela primeira (e última) vez do evento, logo no início de seu mandato.
Entre os integrantes de sua delegação vão estar os ministros José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Celso Amorim (Relações Exteriores), além do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Segundo informações do Itamaraty, o presidente participa amanhã mesmo de uma sessão especial sobre o financiamento da "guerra contra a pobreza" e vai falar sobre os avanços do Brasil na área social. Ele vai se reunir também com lideranças de países em desenvolvimento.
Foi justamente no FEM em 2003 que Lula lançou a idéia de uma campanha mundial contra a fome e a miséria, depois encampada por Chile, França e Espanha e diversos outros países. Hoje (27) o presidente vai falar sobre o assunto em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial (FSM), que também começou ontem. O evento vai marcar o lançamento da campanha da organização não governamental "Chamada Global pela Ação contra a Fome e a Pobreza".
Pode-se dizer que as discussões do FSM, que está em sua quinta edição, contaminaram a pauta do Fórum Econômico. O FEM, com o tema "Assumindo Responsabilidades por Escolhas Difíceis", tem no combate à pobreza um dos principais itens de sua pauta de discussões.
Ontem, na abertura do evento, o presidente da França, Jacques Chirac, falando em uma videoconferência, defendeu a criação de uma taxa internacional para o combate à pobreza. "O desenvolvimento é, ao mesmo tempo, o maior desafio e a questão mais urgente de nosso tempo", afirmou.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também falou sobre combate à pobreza, principalmente na África. "Não há como confrontar o problema perpétuo e endêmico da pobreza na África sem uma parceria entre os governos africanos e dos países desenvolvidos", afirmou.
Investimentos
No sábado, a delegação brasileira vai participar do seminário "Brasil e Parceiros: Oportunidades de Investimentos", organizado pelo Ministério do Desenvolvimento. Segundo informações da pasta, o ministro Furlan vai falar sobre dos avanços do Brasil no comércio exterior; os resultados atingidos até agora no âmbito da Política Industrial do governo, lançada em 2004; e a necessidade de investimentos em infra-estrutura no país.
O governo espera que o país consiga atrair este ano US$ 20 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED). Em 2004, de acordo com o Banco Central, o Brasil atraiu mais de US$ 18 bilhões em IEDs.
Furlan, que chega hoje a Davos, vai participar também de um painel batizado de "O 10° Aniversário da OMC deve ser Celebrado?" e vai se reunir com ministros de Comércio Exterior de outros países, entre eles o egípcio Rachid Mohamed Rachid. Amanhã ele acompanha um workshop sobre a América Latina.
Parcerias
A questão da infra-estrutura vai permear também a palestra do ministro Dirceu, que falará sobre as reformas aprovadas pelo Congresso Nacional nos últimos dois anos (previdenciária, tributária e do Judiciário) e, especialmente, sobre a Lei das Parcerias Público-Privadas, sancionada no final do ano passado.
As PPPs vão ser a grande novidade do governo brasileiro para os cerca de 100 representantes de empresas multinacionais convidados para o seminário. Embora Lula já tenha participado de eventos semelhantes no ano passado, pela primeira vez ele poderá apresentar a lei como algo concreto. As PPPs estão entre as principais apostas do governo para atrair investimentos.
Palocci, por sua vez, vai falar sobre as medidas adotadas pelo governo para reduzir o custo dos investimentos e sobre a retomada da produção industrial e do emprego. A palestra de Meirelles será sobre a "construção do desenvolvimento sustentável no Brasil". Durante o fórum, ele vai participar também da conferência "Desarmando a Bomba da Dívida Pública".
Já o chanceler Celso Amorim, além de acompanhar o presidente nas principais atividades, deverá participar de uma reunião de coordenação do G-20, grupo de países em desenvolvimento que atua contra os subsídios dos países ricos no âmbito da OMC; de um encontro ministerial da própria Organização Mundial do Comércio; de uma reunião com o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, recentemente nomeado subsecretário de Estado; além de encontros com chanceleres de outros países.

