Da redação
Davos (Suíça) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje (26) em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, um apelo aos empresários do mundo todo para que convençam os seus governantes a retomar as negociações da rodada Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC).
"É importante que os empresários do mundo inteiro participem ativamente do convencimento dos governantes", disse. "Peçam para que eles tenham sensibilidade nesse momento. E vamos fechar um acordo".
A rodada Doha é uma negociação entre países dentro da OMC para diminuir as barreiras comerciais. As discussões começaram em Doha, no Catar, em 2001, com outras reuniões ministeriais em Cancun, no México, em 2003, e em Hong Kong, na China, em 2005. As negociações estão travadas desde julho de 2006 por falta de consenso, principalmente na questão agrícola.
Em plenária sobre novas estratégias para erradicação da fome na manhã de hoje, Lula enfatizou que maiores oportunidades de comércio para aos países pobres podem ser um caminho para o fim do terrorismo e das guerras.
"Se não houver um acordo na Rodada de Doha, não adianta ocupar o Iraque, não adianta achar que as guerras que acontecem no mundo serão resolvidas com ajuda financeiras de quando em quando. É com a possibilidade de crescimento econômico, geração de emprego e distribuição de renda que vamos viver num mundo tranqüilo."
O presidente enfatizou que é preciso que os Estados Unidos diminuam os subsídios domésticos concedidos aos agricultores e que os europeus facilitem o acesso ao seu mercado agrícola pelos países mais pobres. "Se quisermos dar um sinal aos países mais pobres do planeta de que vão ter chance no século 21, é preciso que Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, sobretudo esses países mais importantes, assumam a responsabilidade de pactuar esse acordo."
Segundo Lula, os países emergentes estão dispostos a fazer concessões na medida do possível em produtos industriais e serviços. "Vamos fazer um acordo. Posso dizer a vocês que o Brasil cumprirá com a sua parte. O Brasil fará as concessões dentro das suas possibilidades e convencerá o G-20 a fazer para que os países ricos façam a sua. Agora é preciso que a Europa e os Estados Unidos se entendam senão não terá acordo."
No final da tarde de hoje, o presidente Lula participará de encontro informal com líderes mundiais para tratar das perspectivas da rodada Doha. O assunto também será tratado em diversos encontros amanhã e numa Cúpula Interministerial da OMC, organizada pelo governo suíço, da qual devem participar cerca de 20 países. O Brasil será representado pelo chanceler Celso Amorim.

