São Paulo – O novo embaixador do Marrocos em Brasília, Mohamed Louafa, quer incentivar as importações brasileiras do país árabe para equilibrar a balança comercial, que atualmente é superavitária para o Brasil. “Minha principal missão como embaixador será ampliar as importações marroquinas e atrair investimento brasileiro”, afirmou à ANBA o embaixador.
Louafa, que assumiu o cargo no dia 19 de fevereiro, esteve ontem (14) visitando a sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira , em São Paulo, acompanhado do cônsul do Marrocos em São Paulo, Hilton Peña, e o diretor da Câmara Árabe, Mustapha Abdouni, que também é cônsul da Jordânia em São Paulo.
De janeiro a abril, as exportações brasileiras para o Marrocos renderam US$ 191,5 milhões, o que representou um aumento de 37% em relação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, as importações brasileiras do país árabe somaram US$ 35,19 milhões contra US$ 307,27 milhões importados nos quatro primeiros meses de 2008.
Os principais produtos brasileiros exportados ao Marrocos foram açúcar, milho, soja, tratores, ferro e madeira. Do país árabe, o Brasil importou, principalmente, fosfato e derivados e sardinha. De acordo com o embaixador, o Marrocos tem muito mais a oferecer ao Brasil, como produtos agrícolas e têxteis. “Já temos diversos acordos com o Brasil em setores como economia, agricultura, política e proteção de investimentos. O Brasil é nosso parceiro há muito tempo”, afirmou.
Segundo Louafa, a embaixada do Marrocos foi uma das primeiras dos países árabes a se estabelecer no Brasil. “Já existia uma embaixada do Marrocos desde a época em que o Rio de Janeiro era a capital do Brasil”, disse. Outra meta do embaixador é conseguir atrair investimento brasileiro para o país árabe, principalmente no setor agrícola. “Temos um grande projeto para plantação de soja. Podemos trocar experiência e tecnologia com o Brasil”, disse.
No início da semana, o embaixador esteve no Rio Grande do Sul, onde se encontrou com a governadora Yeda Crusius. Na ocasião, foi conversado sobre ampliar a cooperação entre o estado e o país árabe, principalmente na agricultura.
Na área de turismo, o embaixador disse que também está nos planos criar um vôo direto de Casablanca para o Rio de Janeiro, como já existiu no passado. “Estamos em negociação agora”, disse ele, que lembrou que não é preciso ter visto para o intercâmbio de turistas entre os dois países.
Louafa, 58 anos, não tem formação diplomática. Antes de iniciar a carreira de embaixador, ele era professor de Economia da Universidade Mohamed V, em Rabat. Seu primeiro cargo como embaixador foi na Índia, onde ficou por cinco anos. Em seguida, passou três anos no Irã.

