São Paulo – O embaixador da Tunísia em Brasília, Sabri Bachtobji, realiza esta semana sua primeira visita oficial a São Paulo com uma agenda repleta de compromissos destinados a promover o comércio, os investimentos, o turismo e o intercâmbio cultural. “Acredito muito na diplomacia econômica”, disse o diplomata à ANBA nesta quarta-feira (26), após reunião com o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Marcelo Sallum, e o vice-presidente de Comércio Exterior, Rubens Hannun, na sede da entidade, em São Paulo.
O diplomata está no Brasil há dois meses e meio e vê muitas oportunidades para aprofundar as relações entre os dois países. “Já temos um relacionamento político muito bom e uma amizade tradicional”, declarou. “Sinto que há uma simpatia natural entre os dois povos”, acrescentou.
Na quarta-feira, Bachtobji se reuniu também com representantes da Associação Brasileira dos Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira (Oliva), que é um dos principais produtos exportados pela Tunísia. “Somos o segundo maior produtor depois da União Europeia”, destacou.
Ele acredita que há espaço para ampliar as vendas ao Brasil. “As exportações são pequenas em comparação com a capacidade da Tunísia. Há grande potencial para colocar na mesa do consumidor brasileiro um azeite de grande qualidade”, ressaltou.
O diplomata acompanha ainda na capital paulista um grupo da Associação de Exportadores do Oriente Médio e África (Maex), que representa empresas tunisianas que produzem alimentos como azeite, conservas e tâmaras. Os executivos estão na cidade para visitar a Sial e a Biofach, feiras do ramo que ocorrem esta semana, e sexta-feira (28) vão promover uma degustação de pratos feitos com ingredientes tunisianos para o público brasileiro. Bachtobji afirmou que a Câmara Árabe ajudou a organizar uma “agenda rica” com importadores e exportadores.
O embaixador afirmou que empresas de seu país já confirmaram presença na próxima edição da feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas), em 2014, e destacou que na Tunísia ocorrem mais de 80 mostras internacionais de negócios todos os anos, que podem receber empresários brasileiros. “Uma das missões da embaixada é encorajar estas participações e também convidar empresários brasileiros para eventos na Tunísia”, disse.
Para ele, feiras de negócios são “grandes ocasiões” para que os operadores econômicos dos dois países se conheçam e “criem projetos de parcerias internacionais”, inclusive na área de investimentos. Na semana passada, a Câmara Árabe assinou um acordo de cooperação com a Fipa, agência tunisiana de promoção de investimentos, justamente com o objetivo de realizar ações nessa seara. Um dos eventos em estudo é um seminário sobre o tema na mesma época da Apas de 2014. “É um instrumento novo para desenvolver a cooperação entre os dois países”, declarou Bachtobji sobre o convênio.
Nesta quinta-feira (27), o diplomata tem reuniões com representantes da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa).
“Nosso comércio [bilateral] tem muitos produtos primários, precisamos diversificar e incluir mercadorias de maior valor agregado”, ressaltou. Da mesma forma, ele acredita ser possível ampliar o turismo. Hoje cerca de 3 mil brasileiros visitam a Tunísia por ano, segundo o diplomata. “Convidamos os brasileiros a conhecer um país com uma história milenar. Temos uma afluência de civilizações mediterrâneas”, declarou.
Na área cultural, Bachtobji se encontrou, na Câmara Árabe, com o vice-presidente de Relações Internacionais da entidade e fundador do curso de Árabe de Universidade de São Paulo (USP), Helmi Nasr, e com o diretor da Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes (Bibliaspa), Paulo Farah. Eles conversaram sobre a tradução de obras tunisianas de referência para o português e de livros brasileiros para o árabe, assim como da participação de músicos da Tunísia em festivais no Brasil e vice-versa. “As relações culturais e econômicas caminham juntas”, destacou o embaixador.


