Alexandre Rocha
São Paulo – A embaixada do Kuwait em Brasília promove hoje (27) à noite uma recepção para comemorar a data nacional do país árabe. Aproveitando a oportunidade, o embaixador kuwaitiano, Waleed Al-Kandari, disse, em texto encaminhado ontem à ANBA, que as relações entre seu país e o Brasil devem ser intensificadas.
"As boas relações caracterizam os laços entre o Estado do Kuwait e o Brasil e estão construídas as bases da cooperação mútua entre os dois países em diversas áreas. Mas reconhecemos que estas relações precisam ser trabalhadas e fortalecidas", disse o diplomata.
Na avaliação do embaixador, isto pode ser feito por meio da assinatura de acordos de cooperação em diversos setores, da realização de missões governamentais e da organização de feiras e mostras nos dois países com o objetivo de aprofundar o conhecimento recíproco.
Al-Kandari lembrou que a política externa de seu país é hoje baseada no fortalecimento da economia e no que ele chama de "diplomacia econômica", que tem como objetivo ampliar as parcerias com os países amigos.
Neste sentido, ele ressaltou que o Kuwait passa por um período de abertura econômica e oferece uma série de incentivos aos investimentos estrangeiros, como tratamento igual entre o investidor nacional e o internacional, baixa tributação, facilitação do trânsito de capitais e da aquisição de áreas para a realização de empreendimentos. "O Kuwait está ampliando sua indústria, principalmente a petrolífera, e isto representa uma grande oportunidade", disse.
Ele destacou também os avanços ocorridos na seara política em seu país. "A participação na vida política foi ampliada, concedendo às mulheres o espaço para exercer seu voto, candidatar-se e encabeçar os postos mais altos de direção do país", afirmou. "Também foi eliminada a lei que concentrava a atividade jornalística nas mãos de poucas famílias, autorizando a edição de inúmeros impressos e a abertura de canais de televisão particulares", afirmou.
Proximidade
O evento de hoje vai marcar o 46° aniversário da independência em relação à Grã Bretanha e o 16° da desocupação do país pelas tropas do Iraque. A data oficial, na realidade, é 25 de fevereiro, que caiu num domingo. Foram convidados representantes do governo, diplomatas de diversos países e representante da sociedade civil. O embaixador Sarkis Karmirian, chefe do Departamento do Oriente Médio e Ásia Central, estará presente representando o Itamaraty.
A Câmara de Comércio Árabe Brasileira será representada pelo seu presidente, Antonio Sarkis Jr., pelo vice-presidente de marketing, Rubens Hannun, e pelo diretor Mustapha Abdouni. "A Câmara está sempre presente nas comemorações das datas nacionais dos países árabes e será uma honra participar das comemorações na embaixada do Kuwait", disse Sarkis.
Ele lembrou que entidade trabalha sempre muito próxima aos embaixadores árabes residentes no Brasil e ao conselho que reúne estes diplomatas. "Este trabalho conjunto entre a Câmara e os embaixadores tem dado excelentes resultados na aproximação do Brasil com o mundo árabe em todos os campos, principalmente o político, o econômico e o cultural", afirmou.
Na avaliação de Sarkis, este trabalho, que inclui a divulgação da cultura árabe no Brasil, ações de promoção comercial e a realização de uma série de eventos, está fazendo com que a coletividade de origem árabe seja cada vez mais respeitada no país.
O país
Localizado na Península Arábica, o Kuwait é um grande produtor de petróleo, detém 10% das reservas provadas da commodity. O setor é o motor da economia do país. Segundo informações da Câmara Árabe, com uma população de 3,2 milhões de pessoas, o Kuwait tem um produto interno bruto (PIB) de US$ 92, 4 bilhões (2006), o que resulta em uma alta renda per capita: US$ 31 mil.
As exportações do Brasil ao país árabe renderam US$ 167,4 milhões no ano passado e os principais produtos da pauta foram carne de frango, aviões, carne bovina, tratores de lagartas e outros veículos do gênero, microônibus e calçados. As importações, no entanto, somaram apenas US$ 565,4 mil e foram representadas por apenas quatro produtos: polietileno, resíduos de alumínio, mantas de fibra de vidro e circuitos integrados

