São Paulo – O novo embaixador da Arábia Saudita em Brasília, Mohamad Amin Ali Kurdi, quer promover o fluxo de investimentos entre seu país e o Brasil. Esse foi um dos temas centrais de uma reunião que o diplomata teve nesta sexta-feira (22) com a diretoria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.
“As relações econômicas entre os dois países hoje estão concentradas no comércio, e eu gostaria de incentivar a troca de investimentos”, disse Kurdi. Uma das idéias é promover investimentos sauditas no agronegócio brasileiro, uma vez que seu governo quer garantir a segurança alimentar do país.
A Arábia Saudita tem reduzido sua produção agrícola com o objetivo de economizar água e tem buscado terras em outros países para desenvolver lavouras. “O governo decidiu encampar essa estratégia apenas um mês antes de eu chegar ao Brasil e ela começou pelos países mais próximos”, disse o embaixador à ANBA, acrescentando que pretende organizar uma visita de representantes dos ministérios sauditas do Comércio e da Agricultura para verificar in loco as oportunidades existentes no Brasil.
Kurdi ressaltou que há grande interesse no setor por parte de seu país e ele até já visitou o estado de Tocantins, onde o agronegócio tem se desenvolvido rapidamente, para conhecer oportunidades locais. “O Brasil está na liderança do agronegócio e é um dos países para os quais a Arábia Saudita olha em busca de possibilidades de cooperação e investimentos”, ressaltou.
O presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr., destacou que a entidade prepara um estudo sobre as oportunidades para os investidores estrangeiros no Brasil e nos países árabes, sob a coordenação do vice-presidente de Comércio Exterior, Salim Schahin, e com a participação do secretário-geral, Michel Alaby.
“O comércio já atingiu um volume que justifica as parcerias e investimentos em ambas as regiões”, declarou Sarkis. “Vamos mostrar quais são as oportunidades, as leis vigentes, as facilidades e os problemas”, acrescentou.
O embaixador falou até da idéia de formação de uma empresa multinacional do agronegócio com investimentos sauditas, know-how e terras brasileiras e eventualmente participação de companhias de outros países. Como exemplo ele citou Cingapura, onde foi embaixador antes de vir ao Brasil, país que concentra grande capital na área de logística.
Kurdi ressaltou também que existem oportunidades de investimentos para empresas brasileiras em seu país. Ele citou as “cidades econômicas” atualmente em construção e que vão concentrar atividades alavancadas por capital estrangeiro. O diplomata falou de possibilidades nas áreas da indústria, mineração, serviços e também no ramo de petróleo e gás, uma vez que a estatal petrolífera Saudi Aramco tem planos de construir novas instalações ao redor do país.
“Precisamos de investimentos sauditas no Brasil, como sabemos que empresas brasileiras também podem obter sucesso na Arábia Saudita”, destacou Sarkis.
Sagia no Brasil
Nesse sentido, o embaixador disse que a Sagia, agência saudita de promoção de investimentos, estuda abrir um escritório no Brasil. “Já há um acordo de princípios nesse sentido. Agora, com a minha presença aqui, vamos ver o mérito. Creio que essa idéia vai se fortalecer”, afirmou.
Ele quer que a Sagia mantenha um contato mais profundo com sua contraparte brasileira, a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex). Sarkis ressaltou que a Apex é a principal parceira da Câmara Árabe na realização de eventos internacionais e que a entidade pode auxiliar nesse relacionamento.
O embaixador sugeriu também a criação de um Conselho Empresarial Brasil-Arábia Saudita e de uma “Sociedade de Amizade Saudita-Brasileira” que reúna políticos, empresários e outras personalidades de destaque dos dois países. O objetivo é fortalecer as relações bilaterais em diferentes áreas.
Kurdi disse ainda da importância de se negociar um acordo que evite a bitributação do imposto de renda nos negócios resultantes de investimentos bilaterais e de se firmar acordos de irmandades entre municípios dos países, como Brasília e Riad e São Paulo e Jeddah. A Câmara Árabe se dispôs a apoiar essas iniciativas.
O diplomata de 61 anos chegou ao Brasil há dois meses. Antes foi embaixador em Cingapura, empresário e professor universitário.
Participaram da reunião na sede da Câmara os vice-presidentes Helmi Nasr (Relações Internacionais) e Rubens Hannun (Marketing), os ex-presidentes Walid Yazigi e Orlando Sahan, o diretor Bechara Ibrahim, e os relações públicas da embaixada saudita Fahad Alessa e Wail Hababi.
Kurdi se encontrou também com representantes de empresas e entidades brasileiras que têm negócios com a Arábia Saudita, como a Sadia, Doux-Frangosul, os frigoríficos Bertin e Independência, a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) e o governo de Tocantins.
Ainda na sexta-feira, o embaixador visitou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde foi recebido pelo vice-presidente, Elias Miguel Haddad, e pelo diretor titular adjunto, Thomaz Zanotto.

