Isaura Daniel
São Paulo – Reforçar os laços com o Brasil e encorajar o intercâmbio entre os dois países. Com esse objetivo, a diplomata Mayada Bamie assumiu o cargo de embaixadora da Palestina no Brasil no mês de janeiro. "Aqui no Brasil temos a solidariedade do povo, do governo. Quero fortalecer esses laços e também encorajar o intercâmbio em todos os níveis. O Brasil tem demonstrado muita solidariedade com a Palestina e também dá apoio internacional para que o estado palestino soberano e livre seja criado seguindo as resoluções das Nações Unidas", afirmou a embaixadora em entrevista à ANBA.
Mayada vai trabalhar para ter mais apoio do Brasil na resolução dos conflitos que vive o seu país. Ela fez nesta semana uma visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, onde foi recebida pelo presidente Antonio Sarkis Jr., e manifestou os planos que tem para as relações Brasil-Palestina. Mayada, que está na diplomacia palestina desde 1977, é a sexta mulher à frente de embaixadas da Palestina no mundo. O país árabe tem, além de no Brasil, embaixadoras no Chile, Portugal, Bélgica, França e Holanda. Mayada afirma que vir para o Brasil era uma vontade sua. "E o governo também queria uma mulher com experiência", diz em português fluente.
Antes de assumir o seu posto em Brasília, Mayada foi embaixadora da Palestina por um ano e meio no Senegal. Ela foi primeira ministra conselheira de embaixadas na Guiné, Angola, Senegal e Peru. Mayada trabalha para a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) desde que terminou a universidade. A diplomata se formou em Ciências Políticas e Educação pela Universidade Americana, em Beirute, e assim que conclui os estudos passou a trabalhar em campos de refugiados palestinos no Líbano. Ela mesma foi expulsa do seu país, em 1948, juntamente com sua família, quando tinha dois anos de idade. "Naquela época foram 900 mil pessoas expulsas da Palestina", conta a embaixadora.
No campo de refugiados, Mayada trabalha com crianças e mulheres. Foi ela quem fundou um departamento de Relações Internacionais para a Cruz Vermelha Palestina, a partir do qual foi criado um comitê de médicos para trabalhar nos campos de refugiados palestinos. Mayada, que começou cedo a trabalhar por seu país, afirma que considera o Brasil um país amigo da Palestina. "Eu, como palestina, me sinto muito perto do Brasil. O considero um país amigo, solidário. O povo brasileiro conhece o nosso sofrimento", afirma.
A Cúpula dos Países Árabes e Sul-Americanos, que foi promovida no ano passado no Brasil, é avaliada como muito boa para as relações das duas regiões. "Essa cúpula resultou em intercâmbio comercial para o Brasil com os países árabes. Como embaixadora do povo palestino, estou muito contente com isso. Isso trará proveitos para os povos da América Latina e para os povos árabes. Mas a Palestina é um caso a parte", afirma.
De acordo com Mayada, a Palestina, porém, não tem como pensar em intercâmbio econômico sem ter primeiro a resolução do conflito que vive com Israel. "E quando falamos de economia, quando falamos de comércio, falamos de vida. E nós não temos direito à vida", afirma. Atualmente, segundo Mayada, 60% do povo palestino vive abaixo da linha de pobreza. A principal atividade econômica do país é a agricultura, mas o setor tem dificuldade de se desenvolver em função da sua situação interna.
Outra missão da embaixadora será atender a comunidade palestina que vive no Brasil. Segundo ela, atualmente a comunidade palestina no Brasil tem 50 mil pessoas. E também há, segundo Mayada, brasileiros vivendo na Palestina. São filhos de palestinos que nasceram no Brasil e resolveram retornar à terra dos seus pais. "O Brasil integra todo mundo. Muitos filhos de palestinos que nasceram no Brasil voltaram à Palestina para viver. São filhos de advogados, médicos, de homens de negócios", diz.

