Geovana Pagel
São Paulo – O Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil chega hoje (15) a Minas Gerais para conhecer um pouco mais do potencial econômico do estado. A delegação, que será chefiada pelo embaixador da Palestina e Decano do Conselho de Embaixadores dos Países Árabes, Musa Odeh, vai participar de encontros com autoridades e empresários locais – especialmente exportadores – e visitar empresas instaladas na região.
"Este encontro é um trabalho que o conselho dos embaixadores vem fazendo por diferentes estado do país, para apresentar e identificar oportunidades de negócios entre brasileiros e árabes", explicou Antonio Sarkis Jr., presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB).
"Em outubro do ano passado, o conselho de embaixadores esteve no Rio Grande do Sul e, em maio deste ano, no Piauí. O propósito é intensificar o intercâmbio comercial entre os dois blocos", lembra Sarkis. Segundo ele, estes encontros, que inciaram em 2004, devem ocorrer com certa freqüência ao longo deste ano.
Fazem parte da comitiva em Minas, além do diplomata da Palestina, embaixadores e representantes da Tunísia, Argélia, Líbia, Kuwait, Líbano, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Sudão, Arábia Saudita e Jordânia.
Na tarde de hoje, o grupo de embaixadores árabes terá encontros com o governador Aécio Neves, com o prefeito municipal de Belo Horizonte, Fernando Pimentel e com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Mauri Torres.
Já o encontro entre os diplomatas árabes e os empresários mineiros será durante o dia de amanhã (16). Entre os palestrantes estará o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade, Musa Odeh, o secretário de Desenvolvimento Econômico do governo do estado de Minas Gerais, Wilson Brumer, e Antonio Sarkis Jr..
O presidente da CCAB fará a apresentação dos números do comércio entre o Brasil e os países árabes e também entre o estado de Minas Gerais e os países do Oriente Médio e Norte da África.
Números
Em 2004, o Brasil exportou para a Liga Árabe US$ 4,034 bilhões e importou US$ 4,158 bilhões. O estado de Minas Gerais exportou US$ 336,3 milhões para a Liga no ano passado, e importou US$ 19,6 milhões.
Os principais produtos da pauta de exportação mineira para os árabes foram leite em pó, automóveis, açúcar, café, biscoitos, chocolates, roupas, jóias e diamantes. Nas importações, o destaque fica com matéria-prima para fertilizantes, materiais elétricos e algodão.
O encontro será encerrado após a visita dos embaixadores a mineradora Magnesita e a Delp Engenharia Mecânica, produtora de equipamentos para mineração e siderurgia.
O estado
O estado de Minas Gerais está localizado na região Sudeste do Brasil, junto com São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Com uma população estimada em 18,9 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 50 bilhões.
O grande potencial econômico do estado pode ser mostrado pelo fato de ocupar uma posição de liderança em diversos produtos importantes para a economia nacional e internacional. É o maior produtor do mundo de nióbio – metal usado em alguns aços inoxidáveis. Está na primeira posição do ranking nacional em minério de ferro, aço, zinco, cimento, leite, café, batata inglesa e abacaxi. Figura como maior pólo de empresas de biotecnologia do Brasil e detém o maior rebanho eqüino entre os estados brasileiros.
Em abril, a produção industrial de Minas Gerais superou a média nacional. Cresceu 9,6% em relação ao ano passado, contra 6,3% em âmbito nacional. Segundo dados da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), taxas positivas também foram observadas no acumulado no ano e no acumulado dos últimos doze meses, respectivamente, 7,6% e 7,3%.
Por setores, o resultado foi o seguinte: a indústria extrativa de Minas cresceu 21,2%, impulsionada, sobretudo, pelo aumento na produção de minério de ferro, a principal contribuição positiva na taxa global. Já a indústria de transformação avança 7,8%, com oito entre as doze atividades investigadas aumentando a produção.
O destaque ficou com as indústrias produtoras de veículos automotores (19,6%) devido ao crescimento na procura por automóveis.
O ramo de alimentos também cresceu. Foram 11,9%, decorrentes, em grande parte, do aumento na fabricação de leite. Por sua vez, minerais não-metálicos cresceram 21,9%, principalmente por conta do item cimento.

