Omar Nasser, da Fiep*
e Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo e Curitiba – Os embaixadores árabes no Brasil estarão em Curitiba, capital do Paraná, a partir de hoje (10) para estreitar relações com lideranças e empresários do estado. Até sábado (12) eles cumprem uma agenda extensa que inclui visita ao governador Roberto Requião e encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). "É uma visita de cortesia, para estreitamento das relações", afirma o chefe da missão da Liga Árabe em Brasília, Mahmoud Elsouri, que participa da viagem. O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, também acompanha o grupo.
Periodicamente, o Conselho dos Embaixadores Árabes organiza viagens dos embaixadores árabes que atuam em Brasília para diferentes estados brasileiros. "Os embaixadores devem conhecer todos os estados brasileiros durante o período em que estiverem no país para saber do potencial de negócios que há com seus países", afirma Alaby. Eles já estiveram no Rio Grande do Sul, Piauí, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo. "Faremos uma apresentação do mundo árabe aos empresários e lideranças locais para falar das oportunidades de exportação, importação e investimentos", explica Alaby.
Os embaixadores chegaram a Curitiba na noite de ontem (09). Hoje eles têm encontro com o prefeito da capital paranaense, Carlos Alberto Richa. No decorrer do dia se encontram com o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Nelson Justus, com o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, José Antonio Vidal Coelho. Na sexta-feira o grupo será recebido pelo presidente da Fiep, Rodrigo de Rocha Loures, e depois pelo governador. Eles também participam de uma homenagem ao ex-presidente sírio Hafez Al Assad, cujo nome foi dado a uma praça de Curitiba.
Do encontro com da Fiep, promovido pelo Centro Internacional de Negócios da entidade, participam também empresários paranaenses. Alaby fará uma palestra para apresentar o mundo árabe aos homens de negócios do estado. O Paraná quer ampliar os negócios com o Oriente Médio e o Norte da África. "São países que têm um bom nível de renda e que são clientes potenciais para a produção industrial paranaense", destaca Ardisson Nahim Akel, coordenador do Conselho Temático de Comércio Exterior da Fiep.
Com empresários
No ano passado, as vendas paranaenses para a região totalizaram US$ 540 milhões. Nos três primeiros meses deste ano elas chegaram a US$ 129 milhões, aumento de 21,4% sobre o mesmo período de 2006, quando as vendas ficaram em US$ 106,2 milhões. "O Paraná é um grande produtor agroindustrial e de manufaturados, como autopeças e produtos de metalurgia, setores que têm demanda alta no mundo árabe", afirma Alaby. O Paraná também importa dos árabes. Em 2006, foram US$ 46,5 milhões. No primeiro trimestre deste ano o valor chegou a US$ 50 milhões. As compras são de petróleo e fosfato.
O encontro na Fiep é realizado com a parceria de entidades como a Federação das Associações Comercias do Paraná (Faciap), a Associação Comercial do Paraná (ACP) e o Conselho de Comércio Exterior (Concex). O evento acontece das 8h30 às 11h30, no Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores do Estado do Paraná (Cietep), em Curitiba. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail silvana.lima@fiepr.org.br . Os interessados também podem entrar em contato pelo telefone (41) 3271-9100.
Os embaixadores também vão participar, durante a viagem a Curitiba, de jantares oferecidos pelo diretor do jornal Gazeta Árabe, Hanna Fares, e pelo cônsul honorário da Síria em Curitiba, Abdo Dib Abage. Eles visitarão, no sábado, a Igreja Ortodoxa São Jorge e a Mesquita Muçulmana.
O Paraná
Com paisagem fortemente marcada pela produção agrícola, nas últimas três décadas a economia do Paraná entrou em um processo de franca diversificação. Um marco deste processo foi a instalação da Cidade Industrial de Curitiba, em 1975. Hoje, o distrito conta com 5.201 empresas, atuando nos mais variados setores. As indústrias, contudo, não se restringiram à capital e entorno, mas multiplicaram-se por todo o território estadual.
Em algumas regiões, constituíram Arranjos Produtivos Locais. Hoje, são 22 APLs em todo o Paraná, como o de móveis em Arapongas, material médico-hospitalar, em Campo Mourão, metais sanitários, em Loanda, tecnologia da informação, em Londrina, entre outros.
Atualmente, a indústria responde por 40% do valor adicionado estadual, contra 18,4% da agricultura – os outros 41,6% ficam com os serviços. Segmentos de destaque da indústria do Paraná são os de alimentos, móveis, máquinas, material de construção, confecções, veículos, tratores, softwares e equipamentos médico-hospitalares, entre outros.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

