Alexandre Rocha, enviado especial
Brasília – Os embaixadores árabes no Brasil querem promover o ensino do idioma árabe nas universidades e escolas brasileiras. Este é um dos assuntos que serão tratados pelo Conselho dos Embaixadores Árabes em uma reunião como o ministro da Educação, Tarso Genro, marcada para o dia 14. “Estamos interessados em divulgar o idioma no Brasil”, disse ontem (03) o embaixador da Palestina e decano do conselho, Musa Odeh. “Queremos introduzir o ensino do árabe nas escolas, principalmente nos lugares onde vivem comunidades de origem árabe”, acrescentou.
Ontem à noite o conselho promoveu, em Brasília, um jantar para jornalistas com o objetivo de discutir temas como a reunião de cúpula dos chefes de estado árabes e sul-americanos, que será realizada em maio, e o desenvolvimento das relações entre os países árabes e o Brasil. A cooperação na área de cultura será um dos temas tratados na cúpula. “Queremos também conhecer mais sobre o sistema educacional do Brasil, fortalecer os laços para ver o que podemos fazer juntos”, disse Odeh, referindo-se ao encontro com Tarso.
No que diz respeito à cúpula, o embaixador do Marrocos, Ali Achour, disse à ANBA que no encontro ministerial preparatório, que vai ocorrer em Marrakech nos dias 25 e 26 de março, os chanceleres dos países envolvidos (22 árabes e 12 sul-americanos) vão tratar, entre outros assuntos, da redação final da declaração que será discutida e possivelmente aprovada na cúpula em Brasília. Ele adiantou que já existe uma minuta do texto, que foi discutida em três encontros de diplomatas em Nova York e no Cairo, no ano passado, e este ano novamente no Cairo.
“A cúpula por si só será um evento histórico, pois pela primeira vez vão se reunir países distantes geograficamente e que, mesmo dentro de suas próprias regiões, têm diferentes pontos de vista”, disse Achour. Segundo ele, o encontro está na essência da chamada cooperação sul-sul, ou as relações entre os países em desenvolvimento. Em sua avaliação, não é preciso apenas “olhar para o norte”, mas também para o sul.
Além da cooperação econômica, política, cultural e científica entre as duas regiões, a declaração vai tratar também os pontos de convergência dos dois blocos nos temas da agenda internacional. “As relações entre a América do Sul e os países árabes são calorosas, não existem problemas políticos. Gostaríamos que todas as relações diplomáticas fossem assim”, declarou o embaixador da Jordânia, Faris Muft. “É preciso ativar as relações entre os países em desenvolvimento, para fazer frente à força dos países desenvolvidos e gerar maior equilíbrio”, acrescentou o embaixador da Síria, Ali Diab.
O embaixador palestino ressaltou, porém, que a cúpula, idealizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “baseia-se nos interesses comuns e não no desafio ou afronta contra quem quer que seja”.
Nesse sentido, o embaixador da Tunísia, Hassine Bouzid, disse que não há intenção dos países árabes em comprometer suas relações com a Europa, nem do Brasil em substituir seu relacionamento com parceiros tradicionais, como os Estados Unidos. “O que nós queremos é diversificar e, quem sabe, no futuro realizar o sonho de uma área de livre comércio (entre as duas regiões)”, disse Bouzid. Essa possibilidade de um acordo amplo, porém, é considerada remota.
“O importante é que os países comecem a se conhecer melhor uns aos outros”, declarou o embaixador do Sudão, Rahamtalla Mohamed Osman. Os diplomatas ressaltaram a importância do conhecimento mútuo e das relações diretas. O embaixador do Egito, Mohamed Abdel Fattah, disse que antigamente seu país importava carne do Brasil por meio de intermediários alemães e agora compra diretamente. Hoje o Egito é um dos maiores importadores da carne bovina brasileira.
Além dos embaixadores da Palestina, Egito, Marrocos, Jordânia, Sudão, Síria e Tunísia, também participaram do jantar representantes das embaixadas da Líbia, Argélia e Kuwait.

