Marina Sarruf
São Paulo – Representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se reuniram sexta-feira (02), em Brasília, com diplomatas de 18 embaixadas africanas para apresentar os objetivos do novo escritório da entidade na África. "Nós queremos nos associar com os países africanos. Queremos fazer acordos de cooperação na área de transferência de tecnologia para agricultura tropical", afirmou o chefe interino da área internacional da Embrapa, Washington Silva.
Segundo o conselheiro da embaixada da Tunísia, Ridha Bouguerra, que participou do evento, a abertura do escritório em Gana é muito importante. "Eu creio que toda essa centralização de atividades no país africano vai ser muito positiva. O escritório vai aproximar ainda mais o Brasil dos países africanos", disse.
O escritório da Embrapa África é uma iniciativa da política do governo brasileiro de transferir tecnologia agrícola às nações africanas. Desde dezembro do ano passado, quando foi inaugurado o escritório na cidade de Acra, pesquisadores da Assessoria de Cooperação Internacional da Embrapa vêm discutindo caminhos para promoção do uso da tecnologia brasileira para gerar crescimento, reduzir a desigualdade social, combater a fome e pobreza e trabalhar com pequenos agricultores para um ciclo sustentável.
"Os países africanos precisam da ajuda brasileira na área de pesquisa e transferência de tecnologia para ajudar no desenvolvimento do continente", afirmou Bouguerra. Ele disse ainda que a Tunísia já trabalha em cooperação com a Embrapa na área de pesquisas de florestas. No ano passado, pesquisadores brasileiros viajaram ao país árabe para desenvolver um projeto na área de formação e manejo de eucaliptos para a obtenção de madeira.
De acordo com Silva, já existe uma demanda suficiente dos países africanos para começarem a ser desenvolvidos acordos de cooperação. "Os embaixadores demonstraram interesse e fizeram perguntas de como proceder para ter os serviços da Embrapa", disse. O encontro também serviu para marcar o começo de um diálogo para formular estratégias de fortalecimento entre o Brasil e os países africanos.
A abertura do encontro foi feita pelo diretor-presidente da Embrapa, Silvio Crestana, que falou da necessidade de transferir tecnologias em curto prazo, como o uso do plantio direto para aumentar a produção e produtividade, o que poderá também abrir portas para o mercado de máquinas e equipamentos.
Além dos diplomatas terem conhecido o modelo operacional da nova unidade, eles também puderam saber um pouco mais do trabalho da Embrapa. Estava presente também um representante de outro país árabe, o Marrocos.

