Isaura Daniel
São Paulo – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está testando o cultivo de oliveiras originárias do Marrocos no semi-árido do Brasil. Elas foram plantadas no final do ano passado nos estados de Pernambuco, Bahia e Minas Gerais e devem começar a dar os primeiros frutos em 2008. A pesquisa faz parte de um projeto maior da unidade Semi-Árido da Embrapa de levar novas alternativas de plantio, além da uva e da manga, para produtores desta região do país. No total estão sendo testadas 40 cultivares de oliveiras da Itália, Israel, Grécia, Espanha, França, Chile e Argentina, além do Marrocos.
A variedade marroquina de oliveira se chama Pischoline Maroc. De acordo com o coordenador adjunto da pesquisa, Joston Simão Assis, por enquanto as oliveiras estão se desenvolvendo bem. Resultados mais concretos da pesquisa, porém, só virão depois que as árvores começarem a produzir as olivas, o que ocorre em três anos após o plantio.
Atualmente, não há produção comercial de olivas em grande escala no Brasil. Além do projeto da Embrapa no semi-árido, existem outros experimentos no sul de Minas Gerais, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Este último, na cidade gaúcha de Pelotas, é levado adiante por uma outra unidade da Embrapa.
Segundo Assis, a oliveira foi uma das plantas escolhidas para ser testada como alternativa para o semi-árido porque, além de a Bacia do Mediterrâneo, que é a sua grande produtora, já ter quase todas as áreas próprias ocupadas com o cultivo, outras regiões do mundo, como Austrália e Argentina, estão produzindo as oliveiras com bom desempenho.
Uma das dificuldades que as plantas devem encontrar no semi-árido do Brasil, de acordo com Assis, é a falta de frio. "As oliveiras precisam de um pouco de frio", explica. No Mediterrâneo esse frio existe na medida certa. Em compensação, o clima seco do semi-árido brasileiro é bem similar ao da bacia do Mediterrâneo. A ausência do frio, segundo Assis, terá que ser complementada de outra forma, o que será descoberto com a pesquisa.
O projeto é levado adiante pela Embrapa Semi-Árido, que trabalha em parceria com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), ligada ao Ministério de Integração Nacional. Dois dos experimentos com as oliveiras estão sendo feitos em áreas da Codevasf. Um em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, e outro em Jaíba, em Minas Gerais. O terceiro é levado adiante em uma área da Embrapa, em Petrolina, no estado de Pernambuco. Cada área tem ao redor de 160 oliveiras, num total de 480.
Todas as variedades, apesar de serem originárias de diversos países, foram importadas do Instituto Volcani Center, de Israel. O consultor do projeto, Iuval Chen, é israelense. O coordenador do trabalho é Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa. As olivas, ou azeitonas, frutos da oliveira, são usadas para a produção de azeite.

